quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

As águas vão rolar...

Se tem uma coisa que eu gosto demais é o carnaval e o período que antecede a ele. Não pela azaração, mas pelo prazer de ouvir as marchinhas e de curtir os blocos de rua. Gosto do lúdico que o carnaval proporciona. Confete, serpentina, fantasia, adereços… Só sinto falta dos velhos bailes, aqueles com banda tocando ao vivo as melhores marchinhas carnavalescas.

Vi esta semana na televisão imagens da Banda de Ipanema e lembrei o meu carnaval no ano passado no Rio de Janeiro. Mais uma vez pude me divertir muito com o Bloco das Carmelitas, tradicional na cidade e que desfila pelas ruas de Santa Teresa com diversas pessoas caracterizadas de freiras.

O bloco surgiu como uma homenagem descontraída ao Convento de Carmelitas de Santa Teresa, onde vivem enclausuradas as freiras.

Contam que uma das freiras adorava brincar o carnaval e, por isso, teria pulado o muro do convento e se misturado aos foliões. Por conta disso, o Carmelitas faz dois desfiles, um no início do feriado, quando a freira fujona começa a cair no samba, e o segundo na terça-feira, quando ela tem a oportunidade de voltar ao convento sem chamar atenção. Acompanhar o bloco é sempre garantia de muita alegria, além de ser uma boa oportunidade para conhecer um dos bairros mais charmosos do RJ.

Sem praia, mas com o mesmo calor e empolgação do RJ, São Paulo não fica atrás no quesito animação. As ruas da cidade, inclusive da Vila Madalena (meu bairro preferido), costumam ficar lotadas de foliões esta época do ano. A festa começa no próximo fim de semana e se estende até a quarta-feira de cinzas. Haja pique!

No domingo que vem tem o Cordão Carnavalesco Kolombolo Diá Piratininga e Nóis Trupica Mais Não Cai e Banda os Truta. Para quem for ficar em SP, o tradicional Vai quem qué vai desfilar pelas ruas da vila nos quatro dias de festa.

Já o carnaval de rua do Ó do Borogodó, é ótimo para esquentar os tamborins. Depois das engraçadíssimas e inesquecíveis histórias de muitos carnavais que tive no Clube de Praia São Paulo, o pré-carnaval do Ó é aquele que não sai das minhas lembranças.

Faço questão de ir. Gente bonita, animada e música para pular e dançar até cansar. Olha que é de cansar mesmo. Porque a bagunça começa na parte da tarde e só termina depois das 23h, com direito a uma volta no quarteirão seguindo o trio elétrico. Uma delícia!

Mas, enquanto escrevia este texto, descobri que não vai ter bloco este ano. Por isso, fica aqui meu apelo pela realização do pré-carnaval do Ó – um dos mais divertidos e animados da vila. Vai ser triste demais se não houver a tradicional brincadeira feita pelo pessoal que frequenta o bar. Convido a todos que gostam desse delicioso carnaval de rua, que tem se repetido há anos, a compartilhar esse pedido comigo.

Manifeste-se, programe-se e bom carnaval!

Lilian Ambar é uma foliona apaixonada pelo carnaval e pelo clima descontraído da festa.

"Ô abre alas, que eu quero passar" é só o começo para mostrar o quanto faz questão de passear, permeando os sambas, as gentes, as ruas, para externar a alegria daquele (o carnaval!) que por mais um ano... "vai passar..."
Se pudesse, passaria os quatro dias e meio do feriado pulando ao som das melhores marchinhas.

Mas, este ano, não tem nada programado e deve descansar, ou não...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Os sonhos que persistem

Adolescente nos anos 70, filha de pai jornalista/sindicalista, saí da ECA em 1984 empolgada com tudo o que poderia fazer para mudar o mundo. É, eu realmente acreditava nisso. Acreditava que, ao atuar num grande jornal, poderia ter liberdade para transmitir informações que abrissem os horizontes das pessoas, que mostrassem novas possibilidades para que cada um pudesse fazer sua parte na construção deste “mundo melhor”.

Os mais jovens certamente acharão que era muita ingenuidade, mas quem viveu aqueles tempos sabe que a maioria realmente acreditava no poder das palavras que saíam das velhas máquinas de escrever. E, mesmo numa nova perspectiva, eu talvez ainda continue um tanto ingênua e idealista. Claro que o choque de realidade fez com que os sonhos mudassem, mas eles ainda estão aí.

Afinal, para que levantar da cama de manhã, me despedir da família e passar o dia na agência, escrevendo e falando com clientes e entrevistados, se não apostar que meu trabalho faz alguma diferença? Sim, preciso trabalhar, preciso do meu salário, mas, acima do tudo, preciso fazer algo de que goste e que tenha sentido. Preciso imaginar que em alguma fábrica ou loja de nossos clientes, alguém teve a chance de tornar sua rotina no trabalho mais agradável e produtiva ou aprendeu como cuidar mais do seu bem-estar, ao ler alguma de nossas publicações. Muito otimismo? Acho que não. Apesar do bombardeio de informações vindas de todas as mídias, é importante a troca que existe dentro do ambiente corporativo. São dicas de quem está próximo, compartilhando a mesma realidade e que, por isso, podem ser mais úteis e confiáveis do que as informações que vêm de longe.

Podem achar que estou forçando a barra, mas tenho a convicção de que não. Para que o prazer que tenho ao escrever seja completo, é preciso que esse trabalho tenha uma função. E continuo acreditando que as palavras – que agora saem de computadores e, muitas vezes, ficam em intranets sem ir para o papel – chegam ao nosso famoso público-alvo e levam algum benefício para a vida dele. Quem sabe, devagarzinho, a gente não está contribuindo para construir o tão sonhado “mundo melhor”?

Sonhadora, mas com o pé no chão, Silvia Braido é jornalista há 26 anos. Depois de passar por redações de jornais e revistas, espera estar deixando alguma marca fazendo publicações corporativas, função que exerce há cerca de quatro anos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Promoção LVBA – Warner: “$#*! My Dad Says”

Você já deve conhecer o twitter do Justin Halpern, que originou a série $#*! My Dad Says, que estreia nesta segunda, 07, às 21h na Warner Channel. Para ficar mais por dentro, você pode concorrer ao livro “Meu pai fala cada m*rda”, da editora Sextante, baseado na história de Justin Halpern e seu pai.



Quer participar? Confira o regulamento da promoção:

- Primeiro você PRECISA seguir o perfil da agência no Twitter: @lvba. Feito isso, basta twittar a frase: “Estou seguindo a @lvba e concorrendo a uma edição de “Meu pai fala cada m*rda”! http://kingo.to/sCx Siga e RT!”;

- O sorteado SÓ leva o prêmio se for seguidor e retuitar a frase acima com o link da promoção. O link precisa ser da kingo.to. Caso não seja seguidor da @lvba ou não tenha cumprido um dos requisitos, outro sorteio será realizado;

- Duas edições do livro “Meu pai fala cada m*rda”, de Justin Halpern, serão sorteados;

- A promoção vale até segunda-feira, 07, quando o sorteio será realizado pontualmente às 16h, pelo site sorteie.me.

Boa sorte!

Como viveu seus 35 anos ou o que espera deles?

Aos 35 anos eu estava muito feliz e com o melhor presente da minha vida, minha filha que tinha 4 meses. - Tony Tramell

Ainda não cheguei aos 35. Até lá, quero viajar mais e ganhar mais dinheiro. Dar abraços, trocar olhares eternos e chorar lágrimas de amor. Ter um filho e ser a pessoa mais feliz do mundo. Ah, espero que minha mãe já tenha parado de fumar. - Luis Joly

Família cada vez mais linda e abençoada! - Fernando Thuler

Olhar para trás e perceber que chorei todas as lágrimas oportunas e dei todas as gargalhadas que deveria. - Alline Roble

Meus 35 anos anteciparão anúncios, amenidades e altruísmo. Andar aberto ao amor, assertivo aos anseios e atento ao que antecedeu. Atos além com anos aquém: a atitude se arma na atmosfera que amplia. Atenderei ao acaso. Amém. - Vitor Vieira

Espero que aos 35 eu tenha a sensação de que vivi os anos mais intensos e alegres, que fui feliz e fiz as pessoas felizes, mas que ainda não tenha sido o suficiente. - Juliana Dragoni

35 anos ainda está um pouco distante para mim, mas quando chegar lá espero que meu time tenha sido campeão da Libertadores.... - Anderson Leite

35 anos é um período de ouro. Os meus foram vividos aprendendo sempre, com tentativas, erros, acertos, mas acima de tudo, com muita inquietação. E gosto disso em mim, gosto muito disso na LVBA, e nas pessoas que a formam. - Edna Lira

Ainda não vivi 35 anos, nem espero viver apenas 35 anos. Mas tenho muitos desejos, sonhos e desafios à realizar nesse período. Desejo estar trabalhando, sonho estar realizado financeira e profissionalmente, e ter personalidade para encarar desafios que irão surgir em meus 35 anos ou mais. - Misael Nogueira

Aos 35 anos, quero ter uma maturidade suficiente para saber o que realmente me faz feliz e buscar, a cada dia, um pouco dessa felicidade. Além disso, espero que eu ainda tenha muitos desafios em diferentes áreas de minha vida para estar sempre aprendendo. - Tiago Varella

Aos 35 espero ter menos dúvidas do que tenho hoje, mas coragem para quebrar a cara quando não tiver certeza. Quero continuar acreditando nos sonhos e lutando por eles. Olhar pra trás e ter mais satisfações do que arrependimentos. Olhar pra frente e não saber o que está por vir. - Thais Cerioni

Ainda não sei ao certo como estarei aos 35 anos, mas espero estar feliz pelas opções feitas, continuar experimentando o novo, ter realizado mais sonhos e ter outros pela frente. Espero, ainda, que os desafios nunca se acabem e que a minha experiência sirva de aprendizagem para continuar crescendo. - Luciana Ferraz

Os 35 anos passaram rápido, mas me trouxeram uma maturidade bem legal. Quero continuar com essa maturidade e poder viver mais 35 e 35 anos. - Cristiane Pinheiro

Aos 35, quero estar brincando loucamente com meus, talvez, dois filhos, rolando na grama e celebrando ao lado de minha esposa, família, e amigos, toda a juventude que ainda me restará! - Allan Araújo
Meus 35 anos abriram uma fase maravilhosa na minha vida. Fase esta que segue até hoje. Para mim, é a fase das certezas, das conquistas e das grandes e verdadeiras realizações e relações. - Gisele Lorenzetti
Tenho 8 anos para aprender a deixar a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo!!! - Cami Pires
Quando se tem 30 (quase 31), a última coisa que se quer é pensar como serão os 35. Anyway... Espero continuar aparentando 25. - Fernanda Iema

Eu espero que aos 35 anos eu consiga unir a curiosidade e a espontaneidade, que me foram características aos 10, a energia e, em certa medida, a rebeldia dos 20 e a experiência que me aguarda a partir dos 30. - Wagner Pinho

Faltam alguns poucos anos para os 35 fazerem parte da minha história... Mas não é difícil pensar neles não, já que serão a continuidade de um período mágico que começou na minha vida uns sete anos atrás. O amor, o casamento, a entrega. Espero que eu possa comemorar meus 35 anos recebendo um beijo do meu digníssimo senhor e do meu filho (quem sabe filhos). Parece boba e pequena esta esperança, não é?! Mas não é não. Poderia eu querer muito mais coisas, inclusive materiais, mas de que me adiantaria ter todas estas outras coisas se eu não tiver o mais importante do meu lado?! Chegar aos 35 anos e receber o beijo do meu marido e filho(s) significará que atingi a novamente a plenitude da vida (acredito que a plenitude aconteça mais de uma vez na vida). - Dani Mesquita

35 vezes viva! Muito viva! Em 2016 serão 35 VIDAS de Melissa, que a cada aniversário comemora como se fosse o primeiro. O primeiro olhar para o mundo e o primeiro olhar para si mesma. Aos 35 anos não será diferente. Olharei para o mundo de fora e para o mundo de dentro como se fosse a primeira vez. Sem olhar viciado, sem pudor, sem falso juízo, sem rancor. Será tudo novo. De novo. - Melissa Rossi

Aos meus 35 espero ter aprendido duas formas totalmente diferentes e eficazes de levar a vida. - Javier Fierro

Vivi meus 35 anos com muita alegria e esperança. Em casa, meu filho com então 3 anos estava deixando pra trás a fase de bebê e se transformando rapidamente numa criança. Lembro que nesta fase as conversas com ele eram ótimas e cada vez mais elaboradas. Foram momentos encantadores e emocionantes. Aqui na LVBA vivia uma fase com muitos desafios e recheada de aprendizado. Foram dias de muita alegria e é claro, muito trabalho. - Claudio Moraes

Que sejam muito bem vividos como têm sido todos os anos da minha vida. Com muitos encantos, saúde, maturidade e alegria. - Lilian Ambar

Faltam alguns anos para chegar os meus 35 anos, mas sei que isso acontecerá com certa velocidade. Até lá, quero aprimorar minha paciência, ter mais serenidade e maturidade, crescer e continuar uma pessoa alegre e feliz! - Deborah Reis

Sempre acreditei que meus 35 anos seriam um marco importante. E realmente foram! Junto vieram o crescimento profissional – com muito aprendizado aqui na LVBA - e o amadurecimento pessoal, mas sem o receio ou mesmo a preocupação de envelhecer. Não faz parte de mim. Vivo cada momento com intensidade e a certeza de sempre desejar novas e emocionantes experiências, que me levam adiante! - Valéria Allegrini

Responder esse tipo de pergunta é muito difícil. Não pelo fato de eu não saber o que espero dos meus 35 anos, mas sim por esperar coisa demais – e fazer o possível e impossível para alcançá-las. Mas, como minha mãe me ensinou, não dá para abraçar o mundo. Então, o que eu espero dos meus 35 anos é chegar o mais próximo possível da felicidade plena, passando por todos os erros, acertos, obstáculos, sucessos e experiências que a caminhada de 15 anos vai me proporcionar. - Natalia Máximo

35 = 5 X 7. Os números 5 e 7 são primos, indivisíveis, únicos, não são o produto de nenhum outro número inteiro. Sete: 7 cores no arco-íris, 7 notas músicas, 7 dias na semana, 7 é um número mágico. 35 são 5 vezes um ano mágico, um ano único somado com a energia que chegamos a este ano, com certeza outros 35 virão. - Valnei Lorenzetti

35 anos significam maturidade e sensação de jovialidade inovadora, né? É assim que quero viver meus 35 anos. - Luciana Rodrigues

Tenho 22 anos e estou longe dos meus 35 anos, mas espero que, quando eu estiver com todos estes anos, estar com a mesma sede de conhecimento que tenho agora e claro...Ser um ótimo profissional e acima de tudo uma ótima pessoa. - Vanderlei Júnior

O que falar dos meus 35 anos? Renascimento. É isso. Uma fase de redescoberta da vida e da felicidade após a minha filha Bruna, de dois anos, passar uma semana no Hospital com meningite. - Adriane Froldi

Dos meu 35 anos, eu lembro bem! Foi quando paguei a última parcela do meu apartamento, garantindo um lar para a minha esposa, filha e para a caçula, que ainda estava por vir. - Flavio Piccolo

Foi uma fase que inaugurou o processo de maturidade pessoal e profissional, para mim. Aliás, cada idade traz seu próprio encanto... Mal posso esperar a próxima... - Flavio Valsani

Eu vivi meus 35 anos trabalhando, com muitos sonhos e vontade de vencer. Espero os próximos continuar com os mesmos objetivos e a mesma garra... - Maria Nogueira

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Shit My Dad Says

A nova comédia que estréia no Warner Channel, no próximo dia 07, pode ser vista como o primeiro fruto da era eletrônica. “S#*! My Dad Says” deve sua existência ao twitter, uma das principais mídias sociais junto com o Facebook (que também tem um filme sobre sua história, ou pelo menos, uma versão de alguns envolvidos). A origem de tudo foi à recessão econômica, que levou o jovem Justin Halpern a perder o emprego e sem condições de se manter, voltar a morar com seu pai, um médico e ex-marinheiro, que fala o que pensa de forma nua e crua, doa a quem doer. Diante do que o pai dizia, Justin começou a compartilhar suas experiências no twitter e logo outros começaram a dar risadas. O twitter virou um sucesso e arrebatou mais de um milhão e meio de seguidores e um livro com citações que virou um best-seller.

A série embora tenha sua modernidade, até pela sua origem, mistura elementos clássicos da velha escola das comédias de situações: multi-câmeras, claquete de risada (no piloto chegou a ser irritante nos primeiros dez minutos) e uma dupla antagônica. Os produtores David Kohan e Max Mutchnick, os mesmos de “Will & Grace”, preferiram apostar no caminho fácil e não arriscaram inovar. Felizmente o material encontrado no twitter é ótimo e mesmo perdendo na adaptação das frases curtas para uma produção de pouco mais de vinte minutos, consegue manter o humor. William Shatner, o eterno Capitão Kirk da série “Star Trek – Jornada nas Estrelas” é um dos poucos atores septuagenários que trabalha regularmente, consegue encarnar bem o personagem. Shatner consegue extrair o riso e mesmo quando o personagem é antipático, ele empresta seu carisma. Afinal, Ed mesmo sendo durão e de uma geração que abomina as demonstrações de afeto masculino, não quer terminar sozinho nem perder o elo com seus filhos.

A série pelo que pode ser vista nos primeiros episódios vem crescendo no ritmo e mantendo o clima do piloto, ou seja, o conflito de gerações. Ed, que passou por divórcios e guerras, tem sua filosofia enraizada e opiniões formadas para quase todos os assuntos, contrastando com o filho Henry, que tem um jeito mais tímido e inseguro, além de viver num mundo em constante mudança. Ed é adepto das formas simples para a vida enquanto Henry desconhece o caminho. Uma dupla improvável, unida por uma situação inesperada, é o que mantém o humor da série. Se a fórmula clássica vai durar ou não, só o futuro sabe.

Tony Tramell é fã de cinema e TV. Acha que hoje em dia a produção para TV proporcionalmente é superior a do cinema e já ouviu também muita M&#%@ dita pelo seu pai.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Perda ou ganho?

A perda de um ente querido nos faz refletir sobre uma série de aspectos. Digo isso, porque há sete meses meu pai faleceu. Com a morte anunciada há pelo menos 20 anos, cada dia depois de vida de meu pai era uma prova irrefutável de que milagres acontecem. Em 2005, com o desenvolvimento de um novo quadro em sua doença, isso se intensificou e, de lá para cá, cada segundo de vida era comemorado com euforia. Até porque, de acordo com os médicos, aqueles momentos eram uma sobrevida, algo que poderia levar minutos ou anos. Não era possível prever.

Diante desta constatação, nossa família teve a oportunidade de dar a ele todo amor e atenção que, muitas vezes, na correria do dia-a-dia, negligenciamos. A cada espirro, a cada febre, a cada tosse, nós simplesmente o cercávamos de mimos, carícias, abraços e tudo o que costumamos fazer quando amamos alguém.

Diversas vezes, me peguei olhando para ele dormindo. Ficava ali, acompanhando sua respiração para saber se estava vivo. Madrugadas de angústia, horas intermináveis, esperando uma notícia boa, e, muitas vezes éramos recompensados com milagres. Provas de que existe alguma força suprema, capaz de modificar o impossível sem o toque da mão do homem.

Papai era conhecido como imortal. Os amigos e familiares o chamavam carinhosamente de gato, afinal, tinha mais de sete vidas, ou então de Highlander, o imortal guerreiro escocês. Mas a verdade não era bem essa. Seus problemas de saúde eram provenientes de uma predisposição genética somada ao alcoolismo. Para ele foi muito difícil reconhecer essa condição, no entanto, quando se deu conta de que estava destruindo a vida decidiu, sozinho, parar de beber. Foram meses de muito luta para ele. O sofrimento da abstinência só não foi maior que a sua determinação. Depois de nos comunicar que iria deixar o vício, nunca mais ingeriu uma gota de qualquer coisa que pudesse ter álcool na composição. Sua postura mais uma vez foi admirável.

Papaizinho, como seus filhos o chamavam, era um ser humano esplendido, daquele tipo que tem a cara fechada para manter a postura de homem sério, mas que, no entanto, é uma manteiga derretida. Doce e amigável, sua caridade era algo que, muitas vezes, nos irritava, afinal, ele tirava dele para dar aos outros.

Foi mecânico de manutenção e quase não tinha formação. Até os seus 46 anos só tinha o ensino fundamental, o que nunca o impediu de manter fielmente o hábito da leitura. Lia jornais e revistas diariamente e sempre se mantinha informado ao assistir telejornais e programas de entrevistas. Sempre nos incentivou a estudar e era um gênio na matemática. Como seus filhos já se encaminhavam para a universidade ele sentiu-se constrangido e decidiu voltar a estudar. Surpreendeu-nos mais uma vez ao concluir o curso do ensino médio, sendo reconhecido por sua turma e até pela instituição de ensino como exemplo de superação e dedicação.

Apesar de sabermos que sua morte era inevitável, suas recuperações milagrosas fortaleceram a falsa impressão de que ele jamais morreria. Mesmo assim, tivemos a oportunidade de viver os últimos cinco anos de sua vida com muita intensidade. Com sua morte, que apesar de tudo foi inesperada, sofri uma séria mudança de valores. Percebi a quantidade de tempo perdida com coisas fúteis e sem importância.

Nos últimos meses tenho apreendido o que é superar a dor da morte. Podem ser sintomas da saudade, mas, dia após dia, vivencio emoções diferentes: já adoeci, chorei, gritei... Não adiantou.

Vivo na mesma casa e me deparo com objetos que já não têm o mesmo valor. E mesmo tendo amado demais e entregado ao meu pai tudo o que eu tinha de melhor, resta em mim a dúvida sobre ter feito tudo o que era possível para vê-lo feliz. Ainda assim, me tranquiliza a sensação de que ele está mais vivo do que nunca, permeando minhas lembranças e sussurrando em meus ouvidos em todos os instantes, com seus valores e princípios.

Por isso acredito que temos que viver todos os dias com muita intensidade, dar valor as pessoas que nos cercam antes de perdê-las, dizer ‘eu te amo’ com sinceridade e com mais frequência, dar abraços demorados e bem apertados, sorrir ao amanhecer, chorar como criança quando alguma coisa nos machuca, ligar para os amigos e dizer o quanto são importantes na nossa vida, aprender a pedir perdão enquanto há tempo, se preocupar menos com coisas materiais, rir até chorar, fazer caretas quando não gostar de alguma coisa, brincar com os filhos e sobrinhos, orar, ter fé, acreditar em milagres e, acima de tudo, sonhar e celebrar a vida daqueles que amamos.

Aproveitem o início do ano e reflitam sobre a importância e o valor de suas vidas. Revejam seus conceitos e tentem viver cada dia como o último. A vida é uma passagem e, talvez, não reserve a todos a sorte e o tempo que tive para reconhecer e dar o valor que meu pai merecia. A perda foi grande, mas ganhei muito mais. “Papaizinho te amarei por toda eternidade meu querido!”

Deborah Borges dos Reis é uma aquariana apaixonada pela vida, super espontânea, ama intensamente seus amigos e parentes. Para ela sua família é seu maior bem. Acredita que amar é um dom, pois a vida lhe ensinou que todos são capazes de amar e que um sorriso é capaz de aliviar qualquer sofrimento.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Meu nome não é Tony

Muita gente acha que meu nome é Antônio, mas não é. Tampouco é Tony. Eu mesmo levei um longo tempo para descobrir como era o meu nome. Sim, isso mesmo. Acho que só lá pelos cinco anos eu comecei a assimilar o nome. Culpa da minha avó materna. A querida Angelina não parecia apreciar o nome ou achava mais fácil, como o resto da família, a chamar o filho do Henrique pelo diminutivo Henriquinho. Não demorou e virou Riquinho para alguns e assim eu cresci, entre dois apelidos. Lembro que me chamavam assim na escolinha em Moema. Até o Rivelino me autografou uma camisa com o nome Riquinho (Para a geração Y que não deve lembrar quem é Roberto Rivelino, ele seria como um Ronaldinho Gaúcho se jogasse nos dias de hoje).

A vida continuou e um dia Riquinho descobriu que seu nome era Suetônio. Um choque. Ainda mais porque veio acompanhado de todo um “currículo”. Suetônio, ou Gaius Suetonius Tranquilus, era um romano, que viveu na época dos cinco bons imperadores. Escreveu livros e uma de suas obras mais famosas foi “Os Doze Césares”. Ainda na história, outro Suetônio destacou-se, um general romano que conteve a rebelião de Boadicéia. O nome foi uma homenagem a meu avô. Aí na escola começaram as brincadeiras, “Seu Antônio” e aqueles que achavam que o nome era uma mistura de Sueli com Antônio. O tempo fez com que o que era inconveniente virasse divertido.

Ainda hoje quando eu me apresento numa recepção ou o nome está registrado é comum que digam “Seu Antônio” ou apenas “Antônio”, achando que o “seu” foi colocado como alguém que usa um doutor ou conde na frente. Vai saber o que se passa na cabeça das pessoas. Eu me divirto. Muitas vezes nem faço a correção e perdi o número de vezes que disse que meu nome na verdade era Eduardo ou que meu nome é pelo fato que meu pai era Sueli e minha mãe, Antônio.

Foi numa viagem a Disney, quando eu tinha doze ou treze anos, que Tony nasceu. Silvia Sukita, que ganhou esse apelido no primeiro dia nos EUA, por usar uma camiseta que tinha a cor do refrigerante, que começou a me chamar pelo novo apelido. Riquinho e Cia eram restritos ao ambiente familiar. Nessa época eu achava estranho, porque Tony era coisa de Antônio. Na minha cabeça, Suetônio devia ser Sony. Afinal, era tudo com “S”. O fato é que talvez tenha me poupado de algum processo ou no mínimo, advogados. Os anos passaram e Tony foi ficando mais conhecido e era mais fácil mesmo. Tem gente que me conhece há anos e até hoje não faz a menor idéia do meu nome real.

Embora pareça raro, o nome é mais normal do que se pensa, basta dar um google para conferir ou checar o Oldkut, que possui inúmeros participantes e 39 comunidades, enquanto o Facebook também possui um número grande de inscritos com o nome.

Tony Tramell já se incomodou mais com o nome. É cinéfilo e viciado em séries de TV. Está escrevendo um romance, mas é um escrito baiano, com todo ritmo que se imagina. Resolveu revelar seu nome com medo que o Wikileaks fosse mais rápido. Seu sonho é fazer um duo, “Seu Jorge” e “Seu Tony”, mesmo que seja para uma única apresentação.