quinta-feira, 4 de junho de 2009

Viva a diversidade e aprenda com ela!

Há exatos 24 anos eu desembarcava em São Paulo com muitos sonhos e projetos para a fase que eu julgava ser a mais importante da minha vida até então, a de iniciar um curso na área de comunicação. Trazia na bagagem o orgulho da minha ousadia... Afinal, imaginem a incompreensão das pessoas ao meu redor ao saberem que eu sairia do interior, da “Califórnia Brasileira” (Ribeirão Preto), para fazer um curso de Relações Públicas numa cidade inumana! “Curso do quê? Mas você vai fazer o quê exatamente? E precisa ser em São Paulo, um lugar que é terra de ninguém?”

Assim, no auge dos meus 17 anos, no meio desse redemoinho de questionamentos, cheguei à “Paulicéia Desvairada” – plagiando Mário de Andrade! Cheia de expectativas, mas também com um grande receio do “não-pertencer”, o de ser uma estrangeira dentro do meu próprio País.

A caipira, como muitos me chamavam, encarou o desafio, respirou fundo e mergulhou no mundo da comunicação. Ao conhecer a turma de mais de 200 alunos do curso de Comunicação da FAAP (a escolha pelo curso específico viria depois), um alívio: eu não era a única “estrangeira”! A classe era uma verdadeira ONU brasileira, reunia professores e alunos de diversas regiões do Brasil, alguns inclusive de outros países da América Latina. Incrível como as pessoas desgarradas de suas origens têm a tendência de se aglutinar! É a necessidade intrínseca do ser humano de criar vínculos e de sentir-se em casa, não importando se esta casa é real ou não.

Nesse ambiente de diversidade cultural, de convivência diária com paulistas, mineiros, paulistanos, cariocas, mato-grossenses-do-sul, chilenos e muitos outros, é que fui conhecendo mais sobre a profissão que havia escolhido e tinha gerado tantas controvérsias entre meus amigos e família.

Mais do que o aprendizado de técnicas e ferramentas de comunicação e Relações Públicas, o período na faculdade me proporcionou um enriquecimento cultural inigualável. E cultura na acepção mais ampla da palavra: que inclui, sem dúvida, o acesso à informação e às artes, mas que também privilegia o conhecimento adquirido pela troca de experiências com indivíduos tão díspares, em vários aspectos, seja em hábitos e costumes, seja em idéias e atitudes.

Ao ingressar na LVBA, após dois anos de formada e de trabalhar em duas grandes empresas super tradicionais, encontrei novamente um ambiente que transpirava diversidade, de opinião, de formação, de origem, de experiência de vida, enfim.

Sempre busquei essa heterogeneidade, porque acredito que ela impulsiona o crescimento pessoal e profissional ao permitir que os fatos sejam analisados sob vários ângulos e as estratégias traçadas de forma criativa para atender as expectativas do público-alvo, seja este público-alvo um cliente, o cliente do cliente, o amigo, um parente.

Ao longo desses 24 anos de São Paulo, sendo 18 anos de LVBA, o convívio (nem sempre harmônico, mas construtivo) com as diferenças me tornou uma pessoa mais flexível e mais apta a enxergar os fatos sob a ótica do outro, do meu interlocutor, seja ele quem for. Isso tem sido fundamental no gerenciamento das atividades de comunicação junto aos clientes e à equipe, formada por profissionais com história e perfis completamente distintos. Nem sempre é uma tarefa fácil lidar com a diversidade no dia-a-dia, mas, assim como num patchwork, as horas despendidas para planejar e “costurar” são compensadas pelo resultado final do trabalho.
Quanto ao receio do “não-pertencer” de quando cheguei aqui, hoje não tenho dúvidas de que São Paulo e as pessoas que aqui vivem pertencem à minha vida profissional e pessoal, sejam elas paulistanas ou não. Estou verdadeiramente em casa! Já as dúvidas familiares sobre minha profissão, algumas ainda persistem, porém já não sou vista como uma doida que optou por fazer comunicação na capital. Afinal, “ela está há 18 anos na mesma agência, e feliz”!

Adriane Fregonesi Froldi é diretora de Atendimento da LVBA. Tem duas filhas lindas: uma é a Bruna, de 9 anos, e a outra é a Bela, uma pug que sofre de gravidez psicológica! Isso é que é diversidade...

Um comentário:

  1. Bendita diversidade que forma a equipe da LVBA tão completa: tem paraibana, cearense, mato-grossensse-do-sul, norte-americano, gaúcha, chileno, prudentino, mineiro... e uma ribeirão-pretana que tem a cara de São Paulo!

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