
Não, pelo menos eu não consegui.... Consegui sim fazer uma graninha que me permitiu comprar umas coisinhas para meu apartamento, para juntar mais um tanto e dar entrada no meu carrinho, para comprar mais ações de uma companhia e deixar lá porque o preço delas despencou... Neste momento mais perco do que ganho, mas fazer o quê? São as conseqüências de investir (pouco) dinheiro na Bolsa de Valores e perder. Mas um dia a coisa melhora – aliás, tem que melhorar!
Comecei investindo na Bolsa de Valores em 2005. Tinha acabado de receber uma rescisão de um contrato de trabalho. Como dinheiro na mão é vendaval (plagiando a música Pecado Capital de Paulinho da Viola), pensei: que destino dar para ele? Se ficar na conta vai evaporar; se eu colocar na poupança, qualquer desculpa servirá para pegar um pouquinho aqui, um pouquinho ali... A melhor solução era, na minha concepção, colocar em uma aplicação que eu não pudesse mexer por um bom tempo.
Duas saídas: abri um CDB, que na época me rendeu bons frutos; e apliquei mais um pouco num tal de PIBB. Descobri este papel lendo uma matéria na
Folha de S. Paulo ao fazer o clipping de um cliente. Fiquei louca ao ver a tabela de rendimentos desta aplicação e foi lá que amarrei meu burrinho.
Daí veio aquela coisa: nunca mexi com mercado financeiro, não sei fazer compra ou venda de papéis, nunca operei o tal do
home broker, mas não deve ser tão difícil assim, pensei... Liguei para a minha gerente do banco e para a minha surpresa, ela nunca tinha ouvido falar neste tal de PIBB. Guido Mantega, na época presidente do BNDES, e o presidente da Bolsa de Valores, Raymundo Magliano Filho, tinham acabado de lançar para o mercado uma parcela de cotas no valor de R$ 1 bilhão, abrindo assim a segunda temporada de compras de PIBB.
Ah, esqueci de explicar o que é PIBB. Aprendi o significado e a dinâmica dele fuçando em muitos sites – dá sim para aprender a aplicar no mercado de ações lendo bastante. Visitei as páginas do
BNDES, da
CBLC, um site exclusivo de
PIBB, o da
Bovespa, de corretoras de valores, da
CVM,
Anbid,
Andima,
Apimec, enfim, pesquisei, pesquisei e pesquisei. Os PIBBs (Papéis de Índice Brasil Bovespa) são cotas do fundo PIBB Fundo de Índice Brasil – 50, atrelado de alguma forma ao
IBrX 50. Melhor entrar nos sites para entender como ele funciona... Passei a ser visitante frequente de sites relacionados a investimentos, aplicação em bolsas, aprendi a navegar nos sites de corretoras de valores e a operar via home broker, a ter o hábito de verificar as cotações das ações e o desempenho do mercado diariamente. É chato? Não, é muito bom e faz a gente perder um pouco de medo dos números, taxas e regras que permeiam este mundo paralelo.
Resolvi comprar umas cotas e foi a época mais feliz da minha vida no mercado de ações. Um papel que me fez realizar mais de 50% de lucro. Como investidora de primeira viagem, vi aquilo e resolvi vender, afinal era o meu dinheirinho que tinha virado um dinheiro. A rentabilidade dele era baseada nos pontos do Índice Bovespa. Fiquei com medo daqueles números serem surreais e vendi. Mas, para quem era marinheira de primeira viagem, vendi na hora certa, pois os pontos começaram a cair. Ufa!
Mas gostei desta brincadeira. Montei, junto com o meu namorado (agora ela já é meu marido!), uma carteira de ações e fomos comprando um pouquinho aqui, outro ali. Não fizemos muito dinheiro, mas nos divertimos muito! Gastei tudo aquilo que tinha juntado comprando coisas para a minha futura casa. Passado este período, fiquei sem dinheiro nenhum... Mas veio uma graninha extra e resolvi entrar no IPO da Bovespa. Dias felizes vieram novamente. Realizei, em três dias, quase 100% de lucro. Vendi tudo e me preparei para entrar na abertura da
BM&F. Quem não tinha conseguido comprar da Bovespa, correu para fila da BM&F. Uau!, pensei. Se for como foi na Bovespa, estou feita!
E foi. No primeiro dia apenas... Quando vi a valorização de quase 30% do papel, falei: vou vender e é agora. Sonho meu.... Entrei no site da corretora (ah, esqueci de mencionar: pago R$ 13 mensais para manter as ações), coloquei a ordem de venda com preço fixado de R$ 26. Quando dei “enter” na operação, o sistema travou (de tanta negociação que estava sendo feita). Liguei para o telefone de operações de mesa. Agora sim, vai dar! Não deu. A previsão de atendimento era de 37 minutos, isso mesmo, 37 minutos. Aos 35, a ligação caiu...
Aliás, não foi só a ligação que caiu. O preço das ações despencou!!! Não consegui vender, paguei uma ligação de R$ 30 de celular (aquela que fiz para a corretora e que, além dos R$ 30, levou toda minha hora de almoço daquele dia) e comecei a tomar prejuízo. Putz, também me pesa a consciência o fato de que, por minha empolgação, um colega da
LVBA resolveu aplicar sua graninha nestas ações... Mas fazer o quê? Agora, além de nervos de aço para acompanhar o preço das ações, tenho que ter paciência e aceitar que estas ações viraram como uma previdência complementar. Serão pelo menos dois anos para recuperação total do valor que elas tiveram um dia.
Por isso que eu digo: não dá para ficar rico na Bolsa de Valores com pouco dinheiro. Pelos menos eu não consegui! Minha próxima empreitada são os papéis do
Tesouro Direto. Estes sim podem me render alguma coisa. São pagamentos garantidos, com bons juros e que requerem poucos recursos do investidor.
Daniela Mesquita é executiva de Atendimento da Unidade Adriane Fregonesi Froldi. Casou há pouco mais de um mês, o marido quer ter três filhos (e ela prefere ter um filho e investir em duas Ferrari), e virou a mais nova moradora e exploradora da Lapa e adjacências.