quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Segredo de Alline

Parece que foi ontem que eu escrevi o meu primeiro texto para o 806 como assistente de eventos. Aliás, foi no extinto departamento de eventos que a minha carreira começou aqui. Foram milhares de desafios, um ano que definitivamente mudou a minha vida. Foi aqui na LVBA que consegui deixar para trás muitos medos e, sem dúvida nenhuma, me tornei mulher e uma Relações Públicas de verdade.

Tenho muito orgulho de dizer que fui uma das poucas pessoas dessa agência que fez um processo de Trainee, passei por eventos, redação, atendimento até chegar ao cargo de executiva de atendimento exclusivo da empresa Mars Brasil. A cada desafio eram noites mal dormidas e aquele friozinho na barriga, mas sempre encontrei aqui segurança e uma confiança absurda no meu trabalho.

Bom, deixei para escrever nesse último post um segredo que poucas pessoas sabem e que resume a paixão pelo o que faço. Os que me conhecem bem sabem a fobia que eu tinha por cachorros. Então, veio o convite para atender a conta de PEDIGREE®. Foi um conflito interno, confesso, mas foi mais uma prova que tudo é possível. Depois de pouco tempo atendendo a conta e tendo que ir a feiras, pegar os cachorrinhos no colo e os entendendo... o medo foi indo embora e a vontade de ajudar na campanha PEDIGREE® Adotar é tudo bom foi tomando conta do meu coraçãozinho. Pois é, até mesmo o meu medo por cachorros eu perdi.

Depois de tanto crescimento e mudanças percebi que a minha história aqui estava chegando ao fim ou pelo menos, dando uma pausa. Os receios foram ficando de lado e um grande sonho que sempre tive foi se tornando realidade. Foi então que decidi, enfim, fazer a tão desejada viagem para o Canadá. Depois do velho e bom ritual de ansiedade (noites mal dormidas e o friozinho na barriga), a decisão foi tomada. E não tenho dúvida que essa coragem foi consequência de tanto aprendizado. Só tenho que agradecer a ótima faculdade e todos os seus integrantes (professores), a LVBA Comunicação. Levo em meu coração e na minha memória todos os momentos vividos e os amigos que fiz aqui, vocês ficarão conhecidos no Canadá.

Alline Roble, a mais nova apaixonada por cães, acaba de completar 25 anos e é literalmente uma mulher de fases. A Relações Públicas, além de baixinha, é leonina... De fato, o Canadá não será o mesmo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Detalhes sobre Diagnóstico de Presença Digital

Sabem aqueles clientes que têm um insight e resolvem entrar nas Mídias Sociais da noite para o dia?

Não! Existem algumas etapas para esse processo. Vou falar aqui sobre aquelas que em minha opinião são as realmente necessárias para uma empresa entrar e agir com inteligência nas mídias sociais. Começo então falando de diagnóstico digital, e falarei na visão de uma agência.

O primeiro passo é o levantamento de informações com os gestores da empresa. Devem ser realizadas reuniões com os mesmos, onde serão levantadas as impressões deles sobre a situação atual da presença digital do cliente; também serão levantados dados e pesquisas julgadas relevantes pelos gestores para o processo.

Para o segundo passo, deve-se fazer a elaboração do briefing. Após o levantamento de informações, é imprescindível que o briefing aconteça para incorporar e registrar os elementos prestados pelos gestores. Esse briefing será destinado à aprovação da empresa e alterado conforme solicitações, para servir de linha-mestra para o projeto.

No terceiro passo fica a análise de métricas, na qual será efetuado um diagnóstico de todas as métricas, adequando-as de acordo com sua aderência e performance. Também serão identificadas métricas faltantes contra um conjunto de boas práticas de mercado.

Para finalizar, dentro da análise de métricas, deve-se realizar o benchmark de mercado. O Benchmark é o levantamento das melhores práticas e destaques nos principais sites, blogs, comunidades e veículos de informação voltados ao segmento da marca. O objetivo do benchmark é encontrar oportunidades e modelos de atendimento ainda não utilizados pela empresa, ou os executando com mais qualidade.

A cereja do bolo fica na apresentação dos resultados. Todo o processo de Diagnóstico de Presença Digital é encerrado com uma apresentação dos resultados. Feito isso, todos os envolvidos terão a oportunidade de contribuir com críticas e sugestões para ajustes no documento final de diagnóstico, que servirá de base para o Planejamento de Presença Digital.

Depois de toda essa receita, tudo pronto para o próximo passo, que é efetivamente o Planejamento Digital. Tema que abordarei no próximo post.

Estudante de Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo. Ingressou na LBVA em Junho de 2011, onde, atualmente, desempenha a função de Assistente de Relações Públicas.

Cibele Silvia é editora do blog e Revista A Bordo da Comunicação, também escreve para o blog Mídia Boom e o blog Relações. Também é editora de dois livros do #InovadoresESPM: Livro colaborativo de Redes Sociais e Inovação Digital – volumes I e II. Co-organizadora dos eventos: Café com Blogueiros, ERERP 2011 e TEDxUSP.



quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Insustentável Peso do Ser

Muito se fala de algo que só citarei uma vez nesse texto, para não cair na mesma banalidade que pretendo criticar: sustentabilidade (e tudo que é ‘sustentável’, por consequência). Fala-se demais! E ainda que entendamos o conceito e apliquemos algumas das ideias encapsuladas no termo, nessa muleta apoia-se uma infinidade de programas, projetos e prêmios que forçam a barra para se adequar à tendência. E, por enquanto, falamos apenas do microcosmo corporativo, pois se estendermos o assunto ao plano pessoal, familiar, cotidiano, o emprego desse pensamento é ainda mais nebuloso e fugaz.

Minha sensação é que se tem falado pouco do oposto – sobre tudo o que não se pode mais sustentar em uma sociedade que clama caminhar no sentido da conscientização global. E tudo começa pela relação que estabelecemos uns com os outros. É irônico que em cidades como São Paulo, berço de complexos planos de responsabilidade corporativa e afins, as pessoas mal se olhem ou troquem uma palavra sequer em espaços públicos. É claro que não se pode generalizar, mas o que acontece em grande escala é um processo de cultivo do temor e desprezo pelo próximo, nas grosserias trocadas no trânsito, nos gritos em balcões das lojas, nos suspiros tensos nas filas dos bancos. A intolerância é insustentável. O ódio também.

Insustentável é o esgotamento físico e mental a que são submetidos trabalhadores do mundo todo para o farto sustento de um punhado de ricos proprietários, que figuram, cheios de si e sorridentes, na capa da Forbes ou veículo de exaltação do dinheiro que o valha. São vitoriosos, estão no topo da cadeia, a cereja do bolo de um mecanismo que depende da discriminação e da exclusão para se manter. Pior: eles aparecem como responsáveis por empreender, em seus megalomaníacos impérios, aquela tal palavrinha inominável. A empresa mais @(#*#()!#*& do mundo! Será mesmo? A ganância não tem lugar em um "mundo melhor".

Assim como não há jeito de suportar todo esse luxo, materializado em carros, aparelhos eletrônicos de grife e tantas outras tranqueiras caras para o bolso e o planeta, que alimentam a indústria do fetiche. É fácil desejar o bem e abundância para todos quando não se quer abrir mão de absolutamente nada, nenhum supérfluo, para gerar menos lixo, menos cobiça, menos produtos que, em vez de garantir conforto a todos, são feitos para alguns à custa do árduo trabalho de muitos, que nem vão usufruir disso. Para que vivamos em um mundo mais igual, não é possível que todos desfrutem ao mesmo tempo de artigos da mais alta e vazia tecnologia, ou que todo mundo viva em favelas: a gente precisa se encontrar em algum lugar no meio do caminho, e será só quando abdicarmos do que não é necessário e não se sustenta.

É cômodo aguardar que projetos de ONGs e corporações buscando lucros astronômicos deem jeito em problemas seculares, sem que precisemos mover uma palha, mudar uma vírgula em nossa maneira de conduzir a vida simples, a existência individual comum e subestimada. Sistematizar a assistência e o cuidado aos que carecem de tudo, apenas como mais um trabalho delegado a escravoides em cubículos, que entra no automático e é executado e cobrado de forma robótica, não vai tratar a raiz disso, que é o desinteresse, a falta de empatia pelas próprias causas que queremos abordar, em um louco empenho para sustentar o que não se sustenta – a indiferença.

Assim acontece também com o que é público e depende de complexos jogos políticos e decisões pouquíssimo democráticas, apesar do que se fala, para funcionar. O discurso da democracia, portanto, já está perdendo suas estribeiras. Está à mercê de interesses bastante insustentáveis a maneira como se legisla a respeito de lugares para morar, o que plantar para comer, o que comer, e formas de ir e vir – discute-se tudo menos os interesses dos mais interessados. Como sustentar, por exemplo, essa sanha por ir cada vez mais longe com automóveis, trens, aviões, foguetes, se não passeamos a pé por nosso bairro, ou se não temos maneira fácil de chegar ao trabalho, à escola, ao hospital? A dependência dessa politicagem, a falta de envolvimento com os assuntos de nossa própria comunidade, e a falta de luta por alguns direitos básicos por parte da classe mais munida de conhecimento também são difíceis de sustentar.

Não sabemos até quando essa tremenda massa insustentável será contida, e se é mais válido gastar energia para evitar um colapso ou simplesmente abrir espaço para que ele venha: quem sabe não acontecem mudanças boas. O fato é que uma revolução profunda em nosso íntimo já se mostra muito mais do que necessária, é urgente! Se não temos força para mudar a nós mesmos, quem dirá para virar o mundo de cabeça para baixo por meio do neologismo mais usado e menos usado da história. Para termos uma percepção mais cristalina de quem somos e o que queremos, temos que identificar e admitir os erros e seguir em frente, e parar de tentar sustentar, de forma orgulhosa, o que há de pior e mais mesquinho em nós.

Meu querido avô, Octávio Araújo, hoje com 85 anos, gozava de certa fama nos anos 70/80, quando sua pintura estava em alta. A TV Cultura foi lá em casa falar com ele, em 83, pois era um dos personagens de um pequeno documentário sobre pintores. A última cena, em que apareço com mais ou menos 1 ano de idade, sempre me causou impressões diferentes a cada vez que assistia à fita, ao longo da vida. O vô, com voz de locutor, narra o meu caminho até seus braços, a passos desengonçados: "Lá vem o Allan, está chegando, está chegando! Veio anunciar uma nova era! Nós, as crianças, seremos os donos do futuro!" – é assim que me lembro da fala, mais ou menos, e hoje eu a acho mais profética e frustrante do que nunca.

O que se sustenta é o que se cultiva com amor. E só. Somos donos do futuro, sim, já o somos, e o futuro já chegou, está aqui em nossas mãos, como meu avô bem previu. Mas essa geração XYZ (pouco importam os rótulos) ainda guarda a noção de que as coisas devem ser controladas, estar sob o poder de alguém, e não se trata disso. É uma visão atrasada, um ato falho de nossos pais e meu avô, que exprime o desejo de posse sobre tudo, em uma sociedade que se orienta pela hierarquia – uns que podem mais e ficam com mais mandando nos outros, que apenas repartem as migalhas. Não basta sermos donos do futuro, do passado, do presente, do mundo: temos de amá-lo. E temos que fazê-lo juntos! Em vez de possuidores do futuro, com o perdão de corrigir meu avozinho, prefiro que sejamos amigos do presente.

Allan Araújo Zaarour é jornalista, assessor de imprensa, marido apaixonado da Thaís, blogueiro, musicompositor em diferentes bandas e pede desculpas por não proporcionar uma leitura lá muito rápida para o dinamismo dos tempos modernos.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Versão 4.4

Nas escrituras o número quatro representa a totalidade: os pontos cardeais, os elementos do universo, as estações do ano, as divisões do dia... Enfim, as partes que unidas formam o todo.

Mas, por que falar do número quatro e de seu significado? Porque comecei a escrever sobre este momento especial que estou vivendo - não apenas o de resgatar pessoas importantes que fizeram parte da minha história, mas o de ser resgatada por todas elas – e , calculando o tempo, relembrando datas, me dei conta que estou prestes a completar 44 anos.

Eis que surge o número quatro duplamente e pensei: isso deve ter um significado! De verdade, sou cética à numerologia, mas achei as explicações interessantes e sinérgicas com a Adriane 4.4. E esta nada mais é do que a soma, a totalidade, das várias experiências e das pessoas com quem dividi poucos ou muitos momentos.

Para entender quem sou hoje, usei a teoria do “SE” para indagar quem poderia ser se minhas escolhas fossem diferentes e se a vida não tivesse imposto tantas experiências alheias à minha vontade. Neste exercício, me questionei como chegaria aos 44 anos se não tivesse tido a família que tive; se não tivesse optado por deixar o interior e vir para São Paulo; se não tivesse terminado um noivado; se não tivesse entrado na LVBA; se minha mãe não tivesse morrido; se não tivesse me casado e tido a Bruna; se não tivesse perdido a Alice, minha outra filha; se não tivesse me separado; se não tivesse permanecido na agência por 20 anos...Se, se, se.

A resposta é muito simples: esse ser humano, desse outro universo, não seria a Adriane que escreve agora, que se permite reavaliar fatos, mudar de opinião e trazer de volta à sua vida pessoas que contribuíram - às vezes com alegria, às vezes com tristeza – para que se tornasse alguém flexível e com um olhar multifacetado diante dos acontecimentos. Mais do que isso, aceitar que nada é imutável ou definitivo e que o segredo de se sentir “total” é exatamente entender que nunca estaremos completamente prontos, pois somos como um mosaico que vai se formando ao longo dos anos – e só se acaba com a morte.

Comecei a refletir sobre essas questões, quando me deparei com novos desafios no trabalho e a constante presença de “novas velhas” pessoas em minha vida, no último ano: meu primo, que se afastou da família por “n” motivos; minha melhor amiga de adolescência que perdi o contato; ex-colegas da LVBA que retomaram contato; um amor dos meus 20 anos que voltou sem nunca ter ido e, por fim, o convite para participar de um grupo do Facebook formado por ex-alunos do Instituto Santa Úrsula de Ribeirão Preto, colégio em que estudei por quase uma década.

Voltando à questão do significado do número quatro, toda essa análise reafirma minha crença de que só podemos nos sentir plenos – mesmo com as infelicidades recorrentes – se SEMPRE tivermos a consciência de que há algo a ser somado ao nosso crescimento e de que é preciso ter um novo olhar, mesmo para o que já é conhecido, ou supostamente conhecido.

Hoje, às vésperas de completar 44 anos, eu me sinto assim.

Adriane Froldi é uma pessoa intensa, em todos os sentidos. Chega aos seus 44 anos com uma bagagem de vida que pode ser vista como uma lição para quem tem a chance de conviver com ela. Se a Adriane não existisse, teria que ser inventada. Se fosse inventada, não seria a Adriane que todos conhecem.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Nostalgias de um assessor

Sim, eu ainda era um menino. Para mim, o trabalho, como algo remunerado, era uma grande novidade. Desde a primeira ligação, quando o rapaz do outro lado da linha - hoje, um amigo muito querido - falou o nome de uma empresa em inglês. Achei que devia ser algo grande.

Era uma segunda, em fevereiro de 2003. Comum naquela época do ano, chovia muito. Mas, preocupado com o primeiro dia de trabalho, cheguei cedo. Bem cedo. Na verdade, fui o primeiro a chegar, atrás apenas da moça que fazia a limpeza. Ela pouco falou comigo, além de um rápido 'bom dia' ou um 'bem-vindo' qualquer. Fiquei, então, sozinho na empresa que começaria. Pequena. Eram apenas três cômodos, uma recepção e três banheiros. Devia ter algo como 100m2.

Mas eu não me esqueço do cheiro quando entrei.

Um misto de carpete novo, com papel. Cheiro de limpeza. Olhei ao meu redor e, enquanto as trovoadas corriam do lado de fora da janela, atentei para o gaveteiro: quatro gavetas de inox, bem arrumadas. Na primeira, a etiqueta "BRANCO A4". Na segunda, "BRANCO CARTA. A terceira tinha "RASCUNHO A4" e a última, "RASCUNHO CARTA". Achei aquilo o máximo. Pena que nunca tirei foto.

Nos armários, vários brindes de clientes. Em especial, da Discovery e Kodak. Um deles me chamou a atenção. Uma reprodução de uma caixa de remédio, em frasco, porém enorme. Era na verdade um press kit do extinto canal Discovery Health. Ao lado, havia flyers de "câmaras" (sim, era ordem do cliente) fotográficas da Kodak - que ainda eram mescladas entre tradicionais e digitais.

Os computadores eram enormes. IBM, creme. Os teclados traziam aquele suporte para o braço, que se acoplava na parte frontal do periférico. Os mouses ainda não eram ópticos. As mesas, da Tok&Stok, assim como a maioria da mobília. Partes em laranja, cor preferida de uma das funcionárias da época.

Na sala de reunião, duas mesas que ficavam unidas. Suas pernas eram de inox, ou aço, algo assim. Ficavam rapidamente com marcas de dedos. Na parede, uma estante continha uma TV de 21 polegadas. Ao lado, um quadro indicando um prêmio de critério duvidoso. Ali ficavam os armários, também laranjas. Quase sempre as chaves emperravam na hora de abrí-los - mesmo sendo novos.

Do outro lado do escritório, um recipiente de água padrão. Quando cheguei, ele ainda ficava no meio do "salão". Quando foi para o canto, era uma alegria a mais para os homens da firma. Sim, a empresa ficava ao lado do hotel Renaissance, na Alameda Santos. E, do ponto de vista da janela em frente à água, era possível ver a piscina do hotel. Precisa dizer mais?

No começo, eu não tinha computador. Então, usava o servidor. Sim, era uma máquina maior que as demais, mas que ficava ali mesmo, como se fosse outra qualquer.

Meu primeiro almoço foi em um restaurante por quilo, tradicional. Chamava-se "amarelinho" ou algo assim. Fui com a pessoa que comprou os móveis - mencionada antes. Nunca mais voltei ao restaurante, mas a colega tornou-se uma das minhas mais importantes amigas.

A maior sala era da chefe. Na verdade, era tão grande que tinha quase o mesmo tamanho do resto do escritório. Pelo menos era o que a gente dizia, nos corredores, na época. A mesa da chefe também era mais bonita, toda em vidro, com pernas em inox ou aço. A cadeira, era branca e longa, muito confortável, mas não reclinava (sim, eu a experimentei anos depois). A nossa cadeira era da Giroflex. Reclinava bastante, achava o máximo.

Na minha primeira semana lá, um colega me avisou que, se eu quisesse escrever, estava no lugar errado. Dois dias depois, ele saiu. Nunca mais vi.

A chefe também não estava quando eu fui contratado. A primeira vez que a vi foi quando ela voltou de férias. Chegou com malas e cheia de coisas na mão. Olhou rapidamente para mim e para outro funcionário que também era novo. Deu um "oi", sorriu com os olhos e entrou para a sala dela.

Uma vez a chefe resolveu ouvir Elvis. Sim, ela sempre gostou de colocar discos para tocar no meio do expediente (os all time hits eram "Cruising Together", "Keep it Coming, Love" e "We just Don't Care"). Sempre gostei. Mas, naquele único dia, foi Elvis. O disco escolhido era ELV1S 30#1 HITS, um comercial da ocasião.

Fiquei surpreso quando ouvi os primeiros acordes da faixa inicial, "Heartbreak Hotel". Mas imaginei que ela dificilmente ouviria o disco inteiro. Se sobrevivesse à pior faixa do CD, "Trouble", talvez existisse uma chance, pensei.

Não deu outra.

No meio de "Trouble", se não me engano a faixa 8, a música subitamente parou. E foi a última vez que ouvi uma música de Presley saindo daquela sala.

Luís Joly é, desde 2003, assessor de imprensa. Não sabe exatamente como foi parar nessa área, mas lembra de várias coisas e pretende escrever um livro, um dia, sobre essas memórias. Alguns trechos aparecem de vez em quando no blog dele, vê lá: http://jacksenna.blogspot.com

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Trabalho de Confusão de Curso

Enquanto você lê este texto, é bem provável que eu esteja tendo um ataque nervoso ou uma crise de ansiedade, quem sabe arrancando os cabelos. Ou talvez, algo muito pior pode estar acontecendo: enquanto você lê este post, pode ser que eu esteja apresentando meu Trabalho de Conclusão de Curso para meus professores na tão temida pré-banca.

Acredito que a maioria dos estudantes universitários veja o TCC como um grande monstro cabeludo, que irá persegui-lo durante um ano inteiro que, sem dúvida alguma, será o mais longo da sua vida. Afinal, aplicar todos os conceitos que você aprendeu nos três anos de faculdade em apenas doze meses parece o fim do mundo.

Apesar do terror prévio, tudo está nos trilhos. Como eu já esperava, os fins de semana para lazer estão mais escassos, as noites de sono mais curtas e as horas livres viraram lenda. Mas, por enquanto, nenhum surto psicótico, que era o que mais me preocupava. Aqui, tenho que agradecer ao meu grupo. Como qualquer grupo de trabalho, temos as nossas brigas, mas sabemos separar amizade de TCC, e essa harmonia tem gerado ótimos frutos.

Calma aí... Estou aqui falando e falando de TCC, mas pode ser que você nem conheça a estrutura adotada pela maioria das faculdades. Temos que criar uma agência de Relações Públicas, prospectar uma organização-cliente e estudá-la profundamente para desenvolver um plano de comunicação que atenda às suas necessidades. A agência que criamos tem como foco o atendimento ao setor cultural e, depois de inúmeras tentativas com MUITAS empresas do ramo (e algumas de outros segmentos também), o Circo Stankowich topou ser nosso objeto de estudo.

A boa recepção da família Stankowich para com o nosso grupo foi nos deixando cada vez mais interessadas pela cultura circense e tudo que a cerca. Acredito que esse é um dos fatores mais importantes para o bom desenvolvimento do trabalho e, mais do que nunca, vou precisar muito disso para continuar com bons resultados. Diferentemente de outras empresas que tínhamos procurado, tudo sobre a atividade circense é um pouco mais complicado: existem poucas obras sobre o tema no Brasil, assim como dados de mercado. Mas sobra paixão, diversão e riqueza em sua história, de onde temos tanto a explorar.

Para meu grupo e para mim, fica um grande desafio: inovar na comunicação de uma empresa com mais de 170 anos de história e que, definitivamente, não se encaixa em nada daquilo que estudamos na faculdade. E, a cada dia que passa, nos sentimos cada vez mais preparadas para fazer desse monstro cabeludo um dócil cachorrinho de estimação, lá na ainda mais temida banca final.

Obs.: O título não está errado, é “confusão” mesmo. Essa pérola foi dita pelo irmão de 10 anos de uma das integrantes do meu grupo que, desde tão pequeno, já mostra tanta sabedoria.

Natalia Máximo está no último ano de Relações Públicas e sonhou a noite inteira que a apresentação que usará em sua pré-banca não abria e todos seus professores ameaçavam dar zero para o grupo. Todos os dias, um novo tema surge em sua cabeça para atualizar seu blog pessoal, mas está começando a achar que não vai mais conseguir escrever nada que não esteja nas normas ABNT.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Lar Doce Lar

Não, isso não é lamuria de um dia frio, nem um anúncio de banco de financiamento. É um desabafo!

Sinceramente não sei se a regra se aplica a mais alguém, mas chegou uma hora em que a necessidade de uma casa minha tornou-se algo quase sufocante. E nesse caso, é a MINHA mesmo, não da minha mãe. E para completar existe um fator determinante, meu casamento. E não me venham com criticas sobre o assunto, reservo-me ao direito de não aceitar e nem dar justificativas sobre isso, mas para não ficar tão rebelde, quero apenas explicar que o casamento e a ideia de construir família é algo muito, muito importante e bonito para mim e que me permito viver isso com quem escolhi! Para quem não sabe, eu tenho o melhor namorado e futuro marido do mundo, o Bruno!

O que acontece é que, diante de tantos sonhos e desejos, me deparei com um problema econômico que vai além da minha “pindaíba”: a alta dos imóveis no Brasil. Depois de chorar, espernear e reclamar loucamente, imaginando que essas coisas só acontecem na minha vez, resolvi pesquisar tudo que fosse possível sobre o mercado de imóveis. Posso dizer que estou muito IN no assunto e que não é difícil, já que não se fala em outra coisa. Uma pincelada nos fatos:

Durante mais de sete anos o valor dos imóveis não sofreu reajuste: segundo o especialista em imóveis, Luiz Calado, essa alta é um reflexo acumulado, porém, essa opinião não é consenso entre os economistas.

O Boom ou a Bolha(ninguém explica se podemos chamar de um ou outro): dizem que o valor é justo, uma vez que representa 5,5 vezes a renda média anual das famílias brasileiras (Oi?). Em contrapartida, em março foi registrada uma queda no valor dos imóveis.

A demanda de compradores está superaquecida: com as facilidades implantadas desde o Governo Lula, e os programas de incentivo para a compra da casa própria (Minha Casa Minha Vida), por exemplo, a procura aumentou e estimulou a pressão inflacionaria desses reajustes.

Outros especialistas ainda acreditam que o crescimento não deve ultrapassar cinco anos (nessa parte eu quase enlouqueço!): a tese é que as pessoas não conseguirão sustentar os caros financiamentos caro e começarão a vender os imóveis já adquiridos.

Então, diante de tudo isso e muito mais, cheguei a pensar em construir uma casinha de palha e viver uma cabana e um amor, mas acordei e revi tudo!

Uma boa dica é a compra direto com a Incorporadora: elas oferecem vantagens para imóveis já construídos ou em fase de construção (planta). Porém, é necessário que o comprador dê uma entrada de, no mínimo, 20% do valor do imóvel. Existem expeculações sobre o financiamento de 100% do imóvel, mas nunca descobri a forma ou alguém que tenha conseguido.

Procure o preço justo: os especialistas dizem que um preço justo alia infraestrutura e localização, mas não se iluda, existem regiões assustadoramente bem valorizadas. Pense nas suas condições com muito carinho antes de decidir.

Tome muito cuidado com os corretores de imóveis: Eu sei! Estão todos trabalhando, mas vender sonhos tem lá seus riscos. Peça indicações, não acredite nas maravilhas ditas, converse muito com o profissional e, principalmente, não seja tão bonzinho.

Consulte tudo sobre o assunto: indico a Coluna do Mauro Halfeld, na rádio CBN (indicado sabiamente pela Carla Fornazierri), o site Finanças Práticas e uma simples Googada, já que só se fala nisso.

Descontos: existe luz no fim do túnel! Para as taxas de primeiro imóvel há desconto no cartório e dá pra economizar uma graninha.

Apesar de todos os fatos apresentados, continuo tentando! Já aprendi a guardar, já passei pelo maior processo de desapego das compras que poderia – para mim, isso significa rever o guarda-roupa e as maquiagens com tanto carinho a ponto de reinventá-los o tempo todo – e isso não é fácil! –, dou o maior valor do mundo à minha costureira e tento minimizar as contas todos os meses. Todos os dias penso em cardápios diferentes para o jantar e vasculhos os mais badalados sites de decoração. Já me emocionei e segurei o choro quando o Bruno se interessou por um varal móvel para acabar com o possível problema de falta de espaço... Também fico a espera de um milagre.

No fim, quando conseguir, tomo duas garrafas de tequila guardadas para a ocasião e convido a todos para um Open House incrível!


Luciana Rodrigues é Relações Públicas e executiva de atendimento na agência casamenteira. Apaixonada pelo Bruno, amante de culinária, decoração e crianças. E está tentando se convencer de que isso tudo é um dom e não um fortíssimo lobby a favor do casamento!