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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Começando pelas férias

Entrei para o mundo das Relações Públicas, em 2009, quando ingressei na universidade. Sem conhecer a fundo a profissão, mas entendendo sua função de relacionamento com públicos, tinha a certeza de que estava fazendo a escolha certa. Depois de um ano e meio, já me identificava com o que estava estudando, mas minha frustração era não trabalhar na área ainda.

Participei de muitos processos seletivos até que surgiu a oportunidade de coordenar a assessoria de comunicação de uma Agência Experimental da Unesp, a Agência Propagação. O trabalho era fantástico! Coloquei meus conhecimentos em prática, estudei novas formas de comunicação e trabalhei por um pouco mais de um ano com pessoas incríveis de outros cursos da Unesp. Quando completei três meses nessa agência, entrei para a Empresa Júnior de Relações Públicas (RPjr). Comecei a trabalhar em dois mundos muito diferentes, porém com o mesmo objetivo de estimular o empreendedorismo no jovem universitário. Estive na RPjr por um ano e meio, trabalhando com meus veteranos e calouros, que me ensinaram muito.

Em outubro de 2011, assumi a Diretoria de Projetos e passei a gerenciar o Meeting 2012, um encontro entre estudantes e profissionais de relações públicas, promovido pela RPjr desde 2009. O Meeting aconteceu em abril e um dos convidados foi Flávio Schmidt. Utilizei o contato feito com ele para conhecer um pouco mais do mercado das Relações Públicas e pedi sua ajuda para a realização de um estágio de férias em uma agência de RP. Fui indicada para trabalhar por um mês com a equipe da LVBA e aqui estou!

A agência topou o programa e me recebeu nesse período, em que pude conhecer todas as suas áreas e processos e atuar um pouco em cada um. Ajudei com mídias sociais, eventos e aprendi um lado novo do relacionamento com públicos: as ações realizadas por meio de assessoria de imprensa. Consegui entender como essa estratégia é extremamente importante para a construção da imagem da empresa diante de seus diversos públicos e como a união desta ferramenta com outras de RP é capaz de transformar a comunicação e o relacionamento.

Não foi apenas o aprendizado profissional que me encantou durante esse mês, mas também a equipe unida e superatenciosa. Fui recebida de modo acolhedor por um time que compartilhou sua experiência e prática. O trabalho realizado foi de muito valor para a minha vida profissional e fiz contatos que nunca esquecerei.

Cursando o último semestre de Relações Públicas na Unesp de Bauru, minha passagem pela LVBA, sem dúvida nenhuma, mostrou quanto gosto e admiro minha futura profissão. Hoje tenho certeza que quero ser uma RP. Deixo a equipe da LVBA com um sentimento de saudade e respeito, além de estar muito satisfeita por ter vivido uma oportunidade que superou todas as minhas expectativas.

Mariana Carareto, mais uma no bando de loucos, ama sua família, adora estar com os amigos e, atualmente, é apenas uma estudante repleta de sonhos para o futuro.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A vez do torcedor 2.0

Que prazer voltar a escrever neste espaço! E isso só fica melhor quando os toques no teclado são para falar sobre algo que tem feito parte da minha vida desde a maternidade.

Sempre fui um apaixonado por futebol e desde sempre fanático pelo meu time. Tanto que minha primeira ida ao estádio se deu em 1984, quando com 2 anos de idade e ainda de fraldas “assisti” o SPFC enfrentando o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. Desde lá, assistir a um jogo de futebol virou hobby e o Morumbi minha segunda casa. Enquanto crescia, me deparava com os chamados “torcedores de sofá”, título dado a torcedores menos fanáticos, que não pagam para ver seu time e que preferiam o conforto de estar em casa e de fazer outras atividades se “pegassem bode” do jogo.

Mais anos se passaram e agora vejo uma nova espécie surgir e se tornar protagonista: são os que eu chamo de “torcedores de teclado” ou “torcedores 2.0”. Uma evolução dos “torcedores de sofá”, são seres que nunca foram a um estádio de futebol, acompanham apenas retas finais ou copas do mundo, não conhecem o próprio time e a única tática que parecem ter aprendido é a de criar posts criativos e tweets.

Romântico como sou, ainda acredito que o torcedor está no estádio ou hipnotizado pela na TV na hora do jogo do seu time. O torcedor grita GOOOLLLL e não deixa de lado a emoção maior do futebol para digitar “Chupa” quando sua equipe marca um tento (alguns não saberão o que é tento); o torcedor hasteia sua bandeira, compra, veste e desfila orgulhoso com sua faixa de campeão, não tem tempo para ficar criando hashtags; o torcedor, mesmo depois de velho, coleciona álbum de figurinhas e não “likes” em seu post agressivo ao adversário.

Falando nisso, sou da época em que a melhor maneira de tirar sarro do adversário era, no dia seguinte, ir para escola ou para o trabalho com a camisa do clube, com o pôster da Placar, com a faixa de campeão. Nada mais irritante do que ver o orgulho do amigo que torce para o rival. E como isso era legal. No meio da zoação, se discutia tática, melhores em campo, projetava-se futuro, quem será vendido, quem vem para a gente tentar o próximo título. Hoje tudo se esgota na madrugada seguinte ao jogo e se resume ao que chamam de bullying cibernético. Não se discute a partida, posta-se montagens; não se canta o hino do clube, cria-se musiquinhas em que se cita mais o rival do que o próprio clube; não se sabe a escalação do time, só tem na ponta da língua o autor do último gol, que é esquecido quando este gol vira o penúltimo.

Como era divertido sair do estádio dizendo: “vou para o bar, para a Av. Paulista comemorar”. Hoje, ao fim do jogo, se diz “vou xingar muito no Twitter”. E aguardem. O melindre continua este ano em mais um episódio de “Os Eleitores 2.0”.

Ah, que fique claro: liberdade a todas as formas de expressão. E isso é só um pensamento de um fanático por futebol. Que só será compreendido por um outro fanático por futebol.

Fernando Thuler, hoje na comunicação interna da Nextel, deve muito à LVBA. Foi aqui, na Rua Alvarenga 806, que conheceu a mulher da sua vida - Daniela Valsani. Tem um filho lindo, que ainda pretende levar aos estádios muito em breve. Passou cinco anos por aqui, mas sempre que pode, volta pra visitar os amigos. Thuler descobriu na LVBA que o trabalho pode, sim, ser muito gostoso e um lugar cheio de amizades.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

5 dos 35

Quando cheguei aqui na LVBA, em 2006, todo magrelo e com meus ainda poucos 24 anos, não poderia imaginar a quantidade de mudanças que estariam por vir. Pois bem, muito mais do que os quilos que ganhei nestes 5 anos, colecionei acontecimentos que definitivamente mudaram a minha vida.

Antes de falar do lado profissional, minha história na LVBA está diretamente ligada a minha vida pessoal. Foi aqui, na Rua Alvarenga número 806, que conheci a mulher da minha vida - minha esposa Daniela Valsani. Precisaram apenas alguns meses e no mesmo ano que entrei na agência já estávamos namorando. Um ano e meio depois, e batata – era o nosso casamento. Dois anos depois do casamento e olha a gente lá no Hospital Albert Einstein recebendo nosso primeiro filho, Lucas, quem em pouco tempo se tornou xodó da agência com seus sorrisos e poses charmosas.

Já é uma história e tanto para quem vislumbrava a LVBA como apenas mais um desafio, mais uma oportunidade profissional. Mas não para por aí. Aqui entendi que é possível existir um lugar agradável e descontraído e chamá-lo de trabalho. É possível contar com as pessoas, ser parceiro, trocar ideias, ouvir, falar, cantar, gargalhar, aprender. Tudo isso dentro de um ambiente de trabalho. Esses fatores somados aos profissionais incríveis que tive contato têm ligação direta com este profissional que sou hoje.

É como se em 2006 a LVBA tivesse me pegado no colo e, com o tempo, tivesse me ensinado, dirigido, acompanhado, desafiado, discordado, concordado, me moldado. Agora estou em pé e o próximo desafio é caminhar sem vocês. Ou com vocês?! É hora de partilhar, dar oportunidade para o mundo conhecer um pouco mais de perto um profissional criado pela LVBA. Levo vocês juntos, certo de que este é um passo além, uma conquista não só minha, mas nossa!

Obrigado por me deixarem fazer parte de 5 dos 35 anos desta bela história que a LVBA escreveu até aqui!

Meu obrigado vai para todos, mas não poderia de deixar alguns agradecimentos especiais de lado: Claudia d’Amato e Valeria Allegrini - se a Clau não tivesse me contratado e a Val me indicado pra vaga dela, provavelmente eu estaria solteiro, sem filho e seria só mais um profissional; Adriane Froldi - todo mundo deveria ter a oportunidade de trabalhar perto do astral dela ao menos uma vez; meus comandantes Flavio Valsani e Gisele Lorenzetti; quem sempre deu a melhor notícia do mês e joga uma bola fina – Flavio Piccolo; os parceiros de início de trabalho Clezia Gomes, Claudio Moraes, Rodrigo Garutti e Bruno Carramenha; Rodrigo Padrón, com quem aprendi demais só de observar o trabalho; Maria – a pessoa mais doce que já conheci; Alline Roble e Natalia Máximo – a melhor equipe ever (elas vão longe demais, tenham certeza!); Luis Joly – vocês não tem ideia de quão incrível é trabalhar com o seu melhor amigo; e todo mundo que está e passou por aqui e compartilhou todos esses momentos que serão inesquecíveis para mim!

Fernando Thuler é o que costumamos chamar de "uma pessoa boa". De bom coração, um bom pai, bom marido e funcionário. Em sua passagem pela LVBA, deixou apenas amigos. São-paulino e amante do rock, fará falta no dia-dia da LVBA.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fazer 30 anos seria um rito de passagem?

Quem já passou dessa idade pode até achar que é apenas mais uma fase, mas para aquelas que, como eu, estão prestes a chegar aos 30, a expectativa é muito grande, parece que tudo vai mudar. Uma mistura de sentimentos, dúvidas e ansiedade afloram na cabeça das balzaquianas.

Um dos primeiros questionamentos é “Cheguei definitivamente à fase adulta?”. Depois seguem-se vários outros como “Agora a vida fica mais séria?”; “ Virei coroa ou estou na flor da idade?”; “Passo a ser chamada de tia na rua?”; “Ganharei ainda mais responsabilidades”; “Agora não posso mais errar?”, “Como será minha vida a partir de agora?” entre muitas outras.

E, como se não bastassem essas aflições, algumas pessoas próximas costumam comentar: se você não engordava quando comia muito até agora, depois dos 30 isso muda. Super assustador pensar que depois dessa idade você não terá mais controle nem do seu próprio corpo. Aí também começam as preocupações com a saúde, tem que evitar o sedentarismo, cuidar mais da pele...melhor parar por aqui.

A sensação é que os 30 anos dividem a vida de uma pessoa em antes e depois. Como se antes fosse uma espécie de pré-vida, um momento de aprendizado básico, de esforços, formação cultural e de experiências para conseguir atingir o alto de uma montanha, o ápice da vida, o auge e a plenitude. Até que, lá do alto começa a descida, mesmo que de forma lenta. Como se a sua missão fosse aproveitar o máximo possível em quantidade para que depois dos 30 comece a desfrutar, importando-se mais com a qualidade. Não que acabem as experiências e conquistas, mas elas continuam de uma forma mais madura, ainda mais intensas e significativas.

Agora é para valer, parece que não se pode mais errar como antes. As principais decisões já devem ter sido tomadas como a escolha da profissão, a personalidade, o estilo e até o marido hehe. Não tem mais volta, ou melhor, até tem, mas nada será como antes. Voltar para a casa dos pais, por exemplo, se acontecer, será motivo de fracasso, por que agora sou uma mulher independente e com 30 anos nas costas. Tudo fica mais sério e de “verdade” e é esse peso que causa medo e ansiedade.

Mas tudo isso pode ser “caraminholas” da cabeça das balzaquianas. Enfim, falta menos de uma semana para os meus 30, agora não dá mais tempo de pensar sobre o que gostaria de ter feito nesse “aquecimento” da vida e nem ganhar rugas de preocupação pelo que me espera pela frente. Quero apenas deixar registrado que minhas expectativas são as melhores. Quero estar errada com essas impressões e viver ainda mais intensamente a vida após o 30. Saborear mais, aprender mais, viajar mais e ser ainda mais feliz... Afinal, esse será o ano, coincidentemente, que irei me casar, e ai esse assunto merece outro post com diferentes crises existenciais rs. Finalizo aqui com trechos do livro "A Mulher Madura":
“Fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo...” “...é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar...”

Luciana Pace Ferraz, jornalista/assessora de imprensa balzaquiana apaixonada por tecnologia que nas horas livres faz balé e pesquisa sobre casamentos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

VIVA CHILE, MIERDA!


Confesso que foi difícil começar... Comprometido a fazer este texto – e nada mais justo que seja escrito por mim –, ao mesmo tempo em que pareço uma criança sozinha numa loja de brinquedos, carrego a necessidade de relatar com excelência o que penso e sinto sobre o resgate dos meus compatriotas caçadores de cobre.

Quero falar sobre todas as minhas impressões, sobre cenas carregadas por simbolismos de linguagem universal, de rápida assimilação, e sobre outros que ainda se encontram enterrados nas entrelinhas dessa história.

Mensagens de amor à vida, de competência, liderança, patriotismo, resistência física, de luta pela sensatez e contra a fuga da fé (em Deus, em si mesmo e na humanidade). Tudo isso me enche o peito e me dá sensação de que facilmente eu poderia dividir este post em capítulos.

Pouco espaço para tanto, começo com um “VIVA CHILE, MIERDA!”, agora sem receio algum de parecer grosseiro ou flaite. Esbravejada pelo presidente Sebastián Piñera, ao fim do resgate “del capitán” Luis Urzúa – último a ser retirado da mina e o responsável, principalmente, pelo equilíbrio mental dos outros 32 mineiros sepultados vivos a 3.500 palmos abaixo da terra –, a frase nunca me pareceu tão bem colocada.

Agora sei que das vezes que pensei em vociferar algo do tipo, coibiu-me a falta de emoção, a inexistência de um razão visceral.

Quais dos meus objetivos, se alcançados, arrancariam da minha garganta um “VIVA LA VIDA, MIERDA!” pra quem quisesse ouvir? Há de se ter um momento assim, de tamanha grandeza e heroísmo, na vida de todos.

Nem vou discursar muito sobre a capacidade estrutural que o Chile tem para enfrentar suas desavenças com a Terra. Primeiro os terremotos (1960 e 2010), agora os mineiros, fora os vulcões e elevações do mar. Se Deus esqueceu de abençoar aquele país, não deixou de abastecer o espírito daquele povo com bravura e amor à pátria.

E foi o patriotismo chileno, escancarado ao mundo, o responsável por quase desencadear em mim a Síndrome de Tourette.

Eu queria estar lá, junto com aquela gente, gritando o famoso “SEACHE-I ELE-E!” Agora, mais do que nunca, quero mergulhar nesse sentimento como filho adotivo do Brasil. Dado à luz chilena, trago em mim o gene do patriotismo, que me implora para cantar, em uníssono com este povo, que eu também “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Sei que esse dia chegará e não será em 2014, precisa ser antes ou depois. E teremos que fazer disso um espetáculo, para que todos nos ouçam, com câmeras em todos os lugares, transmitindo nossas cores ao mundo, num reality show verídico e grandioso...

Um pouco antes do último socorrista embarcar na cápsula de resgate, percebi que o melhor da vida é quando ela se mescla à arte, sem imitá-la. Sozinho naquele cenário, pegou algumas roupas, olhou para a câmera e, inclinando seu tronco em reverência ao mundo, quase consegui ouvi-lo dizer “Por si no nos vemos luego, bueno días, buenas tardes y buenas noches!”... Depois disso, ele partiu, sem apagar as luzes.

Javier Fierro é chileno.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

“A felicidade só é real quando compartilhada”

A frase que dá título ao texto aparece no desenvolvimento do filme “Na Natureza Selvagem”, de Sean Penn. Me vejo “obrigada” a começar desta maneira, um tanto quanto burocrática, pela necessidade ética, e também legal de citar a origem intelectual do tema que resumiu em uma única frase e trouxe ao meu consciente um fato que já era claro em minha essência, lugar do nosso íntimo onde, raríssimas exceções, o total acesso e conhecimento são reservados ao inconsciente.

Alguém achou graça na última frase do parágrafo acima? Pois é, eu também não! Na verdade a palavra “graça” só caberia de forma irônica, algo como: “Engraçada a última frase do parágrafo acima, não?”. A ironia aqui, pelo menos ao meu modo de ver, se dá na constatação de não termos a capacidade de vislumbrar, com clareza, o que é parte de nós ao mesmo tempo em que nos permitimos apontar, e julgar de maneira leviana, aquele que se põe a nossa frente.

Mas e o filme, quando voltará a falar dele? Naturalmente imagino alguém se questionando. Se a resposta - “Não voltarei a tratar do filme” – é lida com frustração e te faz desistir do restante do texto, sinto muito. Desculpe, mas não estou aqui para fornecer uma simples sinopse, crítica ou análise lírica da fita. A frase/título do texto é um convite aberto para que assistam ao filme e percorram, a partir daí, seu próprio caminho.

Nossa, reli o texto até aqui e me parece que ainda estou muito distante de chegar onde quero. Mas paciência. A simples frase que serve de coroa a esta dissertação é carregada de uma complexidade que varreu de mim a displicência com minha própria pessoa.

Tenho para mim que o ser humano é egoísta por necessidade. O problema, no meu entendimento do cotidiano universal, é que suprimos essa necessidade de maneira a contemplar somente o mundo exterior da nossa existência. Sendo que esse “instinto” egoísta que nos foi dado tem como serventia mais nobre nos proporcionar o isolamento total do que esta ao redor, permitindo que tenhamos contato com o que nos permeia intimamente: a essência.

Não vou dizer com convicção que adentrei minha essência, longe de mim me equiparar a Jesus e Buda em sua pureza e grandeza como disseminadores da compaixão e do amor. Mas recolhendo-me ao total isolamento do mundo exterior foi fácil sentir a imensa beleza do amor que esta dentro de mim. Não é preciso ir fundo e, tão pouco, se concentrar demasiadamente para encantar-se com o amor que inunda o nosso íntimo.

Como disse, não cheguei nem perto de adentrar minha essência, mas fato é que o amor faz parte dela com tanta intensidade que transborda deste nosso núcleo e se faz perceber com o mínimo de esforço, basta suprirmos de maneira interna essa nossa necessidade do egoísmo.

Tendo encontrado, para mim, o verdadeiro sentido do egoísmo, o fardo diário de viver a vida se tornou mais leve e belo. Buscando o recolhimento no interior do próprio ser enxerguei que o meu amor será o seu. Tendo consciência da magnitude do amor acerca da minha essência posso refleti-lo sobre o mundo. E o que é a felicidade se não a consciência plena do amor dentro nós?

Refletir sobre o próximo o seu verdadeiro amor é dar a ele a sua real felicidade, é deixar transparecer a essência do ser. Qual o sentido de um sorriso que não é compartilhado? Se a luz do seu sorriso não refletir sobre alguém ele não foi real, pois não causou qualquer transformação. É disso que se trata o tema.

Certa vez uma pessoa muito especial me disse que a vida é como uma chama, ao que respondi que sem amor seria uma chama sem luz. Daí a constatação de que “A felicidade só é real quando compartilhada”. Afinal, qual o sentido de uma chama que não ilumina? Compartilhe e acenda. Ou seria ascenda? Aqui cabem os dois.

Priscila Cunha está há 24 dias na LVBA como Assistente de Atendimento. É apaixonada por pessoas e acredita que um olhar ou um soriso pode mudar o dia. Sente prazer em discutir sobre a essência, os valores, a ética e a moral dos seres humanos. Seu trabalho voluntário como palhaça da UPI (Unidade de Palhaçada Intensiva) contribui para enxergar a vida de outras formas e descobrir que não há nada mais gostoso do que dividir alegrias!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Quero a vida inteira...

Eu nunca fui muito fã das quartas-feiras. É bem o meio da semana e... Ainda que já tenha se vivido metade dela, ainda há outra metade pela frente... Preguiça! Mas, ontem, especificamente ela teve um gostinho diferente; mais amargo no começo. Uma notícia nada legal chegou aos meus ouvidos logo pela manhã: um tio muito querido havia falecido durante a madrugada. Por mais que toda a família já esperasse por isso – afinal era realmente uma questão de tempo –senti uma tristeza invadir o corpo e não contive as lágrimas que teimaram me acompanhar por todo o percurso de casa até o trabalho.

Por detrás das lentes dos óculos escuros, meus olhos externavam o que por dentro eu não conseguia evitar sentir, aceitar e admitir: por que a gente fica tão preso a uma rotina segunda à sexta, 9h às 18h, compromissos, metas, objetivos, tarefas? O dia, as horas, o tempo... tudo passa de forma tão “batida” e não se percebe o quanto das pessoas nos é levado embora, pouco a pouco... Chorei por isso também! E por mais outros motivos que se multiplicaram por cem!

A perda não era sentida apenas pela morte e despedida de alguém; esta era principalmente revelada pela dura certeza de que a cada dia, hora, escolha, tempo passado ou vivido, deixa de fato coisas e/ou pessoas “para trás”. Tempo que não volta mais... Fiquei pensando nos três meses em que poderia ter feito uma visita ao meu tio internado na UTI e não fui... Mas em seguida, resolvi pensar em todos os momentos felizes e incríveis que pude compartilhar em quase 20 anos de convivência dele como membro de nossa família...

Foi a melhor escolha e certamente aquela que de fato confortou essa deveras sensível, inquieta e questionadora sobrinha: vale o que fizemos, ainda que pareça pouco. Voltando às quartas-feiras, devo admitir que elas tenham seu valor; afinal é nessa metade que eu posso decidir se quero fazer diferente a outra metade que está por vir.

E... Se a vida hoje em dia é ‘full time’ total, que seja assim! Pela metade não se vive até o fim.

Melissa Rossi é jornalista por formação e executiva de atendimento na LVBA por opção e obra do destino. Foi sempre em sua família que encontrou - e até hoje encontra - as raízes e os pilares mais fortes que sustentam os valores e princípios pelos quais a faz acreditar que a vida é um presente e um eterno celebrar. Talvez seja por isso também que ela goste tanto do aniversariar.