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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fazendo algo com paixão

Fui convidado pela LVBA para escrever um post no 806 sobre o livro do Chaves, que recentemente foi publicado em uma nova edição. O texto abaixo é resultado de um pensamento vivo, de frases soltas e ideias que quis escrever. Espero que curtam – e leiam até o fim. J

Foi na faculdade, no início dos anos 2000, a partir da amizade com Fernando Thuler, que surgiu a primeira ideia de fazer algo sobre o Chaves. Sim, o Chaves, do SBT. Vítima de eternas piadas e preconceitos, Chaves, àquela altura, já era exibido há quase vinte anos. Menos do que os quase trinta a serem completados em 2014, mas ainda muito.

Hoje, falar de Chaves é bacana, é engraçado. Os dois maiores seriados de Roberto Gómez Bolaños, criador dos programas e intérprete do menino Chaves, nasceram no início dos anos 1970. Em 1970, surgiu o seriado “El Chapulín Colorado”, enquanto “El Chavo” veio no ano seguinte, em 1971. Ambos foram resultados de esquetes que Bolaños havia criado anteriormente, em passagens por uma agência de publicidade e um programa de variedades na TV.

Fernando Thuler e eu – mais tarde o amigo Paulo Franco juntaria-se ao projeto – não tivemos vida fácil. Afinal, como seria possível fazer um TCC – o temido Trabalho de Conclusão de Curso – abordando um tema tão “chulo”? Sim, na visão de muitos alunos, falar sobre Chaves no TCC era apenas uma forma de levar o projeto “nas coxas”.

Mas o que eles não perceberam foi a paixão em nossos olhos. Com a palavra, nosso orientador do TCC, Marcelo Rollemberg:

“Quando Luís Joly me procurou, no começo de 2003, para me convidar a orientar o Trabalho de Conclusão de Curso – o sempre temido e instigante TCC – de seu grupo, confesso que fiquei em dúvida quanto ao tema escolhido. Ele e Fernando Thuler – mais tarde também entraria Paulo Franco – queriam fazer um livro-reportagem sobre o Chaves. Quem? O Chaves. O do SBT? O próprio. Em um primeiro momento, tomado talvez de uma arrogância intelectual que pouco ou nada tem a ver comigo, mas que vez por outra nos pega desprevenidos, não achei a ideia tão boa assim. Ainda mais para um livro-reportagem. Mas essa sensação deve ter durado um minuto. No minuto seguinte, já começava a me convencer de que, sim, a ideia era boa e de que aqueles rapazes tinham condições de fazer um belo trabalho a respeito.”

Sim, escolhemos um tema que nos despertasse a paixão. Assim deve ser na vida. A mesma paixão que levou Bolaños a criar suas séries, ou a que faz um arquiteto concluir um projeto, um piloto vencer uma corrida. Nada feito sem paixão é bem feito. Aos olhos externos, pode até parecer bom. Mas, internamente, você sentirá um vazio imenso ao concluir um projeto feito sem paixão.

Quando Fernando Thuler e eu decidimos fazer um livro-reportagem sobre o Chaves – o primeiro publicado no Brasil -, tínhamos paixão em cada frase. Deu trabalho, claro. Pesquisar sobre Chaves é complicado. Estamos falando de um assunto antigo, cheio de incertezas, boatos, lendas e mistérios. Decifrar o que é verdade ou o que é história é difícil. Mas a apuração é a essência do jornalismo. E, claro, somos apaixonados por jornalismo.

Eu me lembro quando o livro foi impresso. Trabalhava em outra agência quando a caixa chegou. Vinte livros, exemplares do autor. A agência parou para ver. Todos, menos eu. Queria ver a capa apenas quando estivesse com o Fernando. Tiramos a foto abaixo. Os funcionários segurando o livro. Quem tirou a foto fui eu. Mas, quase de olhos fechados.

Apenas fui focar na capa do livro quando encontrei com o Thuler, mais tarde naquele dia. E tive um prazer que jamais havia sentido. O resultado de tanto trabalho, e insistência para conseguir uma editora, dois anos e meio de portas na cara, professores rindo, entrevistas, suor, estava tudo ali, nas minhas mãos. As lágrimas vieram, a alegria de fazer alguma diferença no mundo. Pequena, ínfima, irrisória. Mas uma diferença.

Dizem que um homem deve plantar um filho, escrever uma árvore e ler um livro – não necessariamente nessa mesma ordem. J De qualquer forma, dois já foram.

Meses depois do lançamento, conferindo um fórum de internet para fãs de Chaves, me deparei com a seguinte declaração de um fã de 12 anos: “este foi o primeiro livro que li com muito prazer. Foi a primeira vez que li algo que realmente queria”. Poxa, eu estava lá, estimulando a leitura de jovens brasileiros? Quem sou eu pra isso?

Não sou ninguém. Sou só um apaixonado.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pelo direito de ser vários em um só

 “Jornalistas trabalham para que as perguntas que todo cidadão tem o direito de fazer sejam respondidas, enquanto assessores trabalham para que as mensagens que seus empregadores ou clientes gostariam de difundir sejam divulgadas”.
Eugênio Bucci

Desde que sopraram (mais de uma vez) aos meus ouvidos que eu devia investir na Comunicação como profissão, eu instantaneamente me imaginei jornalista. Cresci ouvindo da família, amigos e professores que as minhas redações, cartas e dissertações em provas eram bastante espirituosas e envolventes. Sempre disseram que eu sabia escrever. Ok. Só isso não bastaria para me fazer jornalista, mas é fato que a minha personalidade curiosa e inquieta, somadas justamente ao meu temor pelas escolhas – estas que exigem sempre que se abra mão de outras tantas coisas, caminhos e, por que não novamente, escolhas – acabou me fazendo enxergar que era o melhor dos mundos.

Escolher o Jornalismo, dentro da Comunicação Social, foi sim menos sofrido quando percebi que nesta profissão eu teria contato com todo tipo de informação, que eu poderia vivenciar diferentes experiências, falar, pensar e escrever sobre qualquer assunto, inclusive sobre qualquer outra profissão que eu deixei de escolher. Era o melhor dos mundos: poder viver um pouco de cada coisa, a cada dia, sem achar que pudesse estar perdendo ou deixando de ser ou fazer algo interessante também. Nesse raciocínio particular que eu sempre me percebi totalmente, compreendo e reconheço minha essência: ser e viver muitas em uma só.

De fato essa “definição” veio novamente à tona após a leitura do ótimo artigo do Eugênio Bucci que saiu hoje no Estadão, no qual provoca – com ótimos argumentos – as indefinições e confusões sobre as reais funções de um jornalista e de um assessor de imprensa. E, claro, não pude evitar a pergunta título do artigo: Assessor de imprensa é jornalista?. Ouso responder que sou uma jornalista que no momento está assessora de imprensa. Concordo que há uma série de definições equivocadas que histórica e culturalmente o Brasil carrega há anos, mas ainda assim defendo a possibilidade de que um jornalista pode ser também assessor, assim como um assessor pode ser também jornalista.

Conforme aprendi com o próprio Bucci por meio de aulas e mais aulas de Ética na faculdade, regadas com textos e mais textos de sua autoria, uma vez que se conhece exatamente suas funções, seus direitos e deveres, seja como assessor ou jornalista, é possível sim desempenhar ambas funções com integridade e sem desvios ou incoerências éticas.  Em tempo, acrescento: por sempre acreditar na minha essência e por não saber ser uma só – onde cabem tantas, eu fico com a opinião de que vale conhecer e respeitar os limites que nos posicionam numa ou noutra função. Sou comunicadora, sou jornalista e também assessora de imprensa. Definidas as regras, “let’s play it by the book”.

Melissa Rossi é jornalista, que migrou da redação para o “outro lado do balcão”. Como assessora continua provocando seu olhar mais jornalístico e está sempre disposta a ouvir diferentes versões de uma mesma história. Pelo menos é assim, com multifaces, que ela pretende escrever a sua própria.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O glamour fashion da imprensa de moda

Sim, sou viciada em moda! Moda feminina, street stylist, acessórios, make ups, sapatos, cores, novidades, tradicionalismo, excentricidades. A Barbie era minha boneca preferida, elegante e com um montão de roupinhas que eu trocava 432 vezes por dia. Olho para algumas peças de roupa e penso em três combinações ou numa customização mais apropriada.

A medida que meu interesse foi crescendo e fui conhecendo mais sobre o assunto, fui também criando o faro, ficando crítica e até opinando no look alheio. Eu poderia andar pela rua o dia inteiro com uma câmera em mãos fazendo aqueles “Certo e Errado” que muitas revistas trazem. O Mundo Fashion me fascina principalmente pela arte, ideias, eventos, forma de comunicar, negócios, interação mundial e delicadeza. Não é tão fútil como parece!

Nas últimas semanas, tivemos a maratona de moda com as coleções primavera-verão, apresentadas durante o Fashion Rio (RJ) e São Paulo Fashion Week (SP) - Sim! As coleções adiantam uma estação - e tive o prazer de trabalhar na cobertura de uma ação de Polenguinho, durante o desfile de Simone Nunes aqui em São Paulo. Já havia visitado outras edições do evento, mas nessa percebi o quanto a imprensa tem se destacado nesse mercado.

Os lounges agora são maiores e pertencem às maiores revistas e canais de moda e social como RG VOGUE, Caras, IG/Glamurama e GNT. Dentro deles há ações promocionais de muitas, muitas marcas e a circulação de famosos é grande. Funcionam mais ou menos como camarotes durante o carnaval. Com esse espaço restrito para os veículos, os jornalistas se reúnem e trabalham na “Fantástica Sala de Imprensa”, apelidinho que inventei.

Uma estrutura completa, com bancadas confortáveis para instalar os milhares de computadores portáteis, comidinhas, boas instalações para muitos fios e cabos de câmeras, boa iluminação e muita correria. As notícias são em tempo integral e imediato, portais mostram os melhores ângulos dos desfiles com resenhas que ajudam até os mais leigos a entender que o azul e os tons pastéis estarão nas vitrines. A dinâmica e velocidade proporcionada pela evolução das mídias torna o mundo da moda muito mais interativo e acessível.

E o glamuroso São Paulo Fashion Week não é mais tão intocável como há dois ou três anos atrás. Porém o cuidado artesanal de todas as coleções ainda vai fazer brilhar os olhos de quem assiste um desfile na disputada fila A ficando o glamour reservado aos trabalhadores adoráveis da “Fantástica Sala de Imprensa” misturando jornalistas, críticos de moda, blogueiros e assessores de imprensa. E essas pessoas precisam saber história da moda, entender as inspirações e identificar referências. Deixando nítido de que, ali sim, é necessário gostar para fazer!

Luciana Rodrigues é Relações Públicas, mas gosta de desenhar vestidos e cultuar Carrie Bradshaw, fashionista e escritora!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Críticas à crítica

Há 20 anos, comer salmão e tomate seco era privilégios de poucos endinheirados. Tidos como produtos gourmets, hoje “se popularizaram” ao ponto de encontrá-los em bufê de restaurante de comida por quilo. Salmão e tomate seco são apenas exemplos de uma longa lista de ingredientes e iguarias que globalizaram o cardápio dos brasileiros.

Neste período, não foram somente os hábitos alimentares dos brasileiros que mudaram. O jornalismo gastronômico – ou o que se convencionou assim chamá-lo – também se transformou. Pouco a pouco, surgiram novos – e caros – restaurantes dedicados à alta gastronomia e, lentamente, foi se constituindo uma casta de comensais exigentes, a ponto de alguns deles se tornarem com o passar dos anos verdadeiros connoisseurs, isto é, competentes o suficiente para emitir julgamentos sobre a arte culinária, assim como outros tantos o fazem com outras manifestações artísticas.

Até então, a única grande referência em “jornalismo gastronômico” era o Guia 4 Rodas, com seu roteiro de restaurantes e bares, estrelados ou não – desconsideremos a Claudia Cozinha, também da mesma Editora Abril, com foco em receitas e dedicado exclusivamente ao público feminino. Mas pode-se chamar de jornalismo gastronômico uma lista de estabelecimentos comerciais do Oiapoque ao Chuí? Eis a questão. Ou a primeira delas.

Se há um mercado – mesmo que à época incipiente – de alta gastronomia e pessoas que queiram saber mais sobre pratos e quem os cria e a indefectível combinação deles com vinhos, há potencial público-leitor. Com isso, começaram a chegar às bancas e mesas publicações como a Gula, Prazeres da Mesa, Menu, Alta Gastronomia, Comer e Sabor – as duas últimas já tragadas pela voracidade do mercado editorial. Jornais, como a Folha e o Estadão, dedicam aos temas do paladar páginas ou cadernos e guias semanais.

Um pouco mais tarde, juntam-se aos impressos os sites segmentados, trazendo as novidades recém-saídas dos fornos e fogões. Blogs dão seu piteco e colocam uma pitada de sal no assunto ou mesmo requentam ad nauseam aproveitando as sobras das criações alheias. Finalmente, comendo com pressa e por fora, há o Twitter, o fast food das redes sociais, que traz dicas de onde e o que alimentar-se nesta cidade que devora a todos.

O boom do segmento editorial dedicado à gastronomia deu aos jornalistas amantes da boa mesa a oportunidade de desenvolverem, aprimorarem e exercitarem seus conhecimentos num segmento que requer muito mais que ser um bom garfo e ótimo escriba. Ser jornalista gastronômico é ser um glutão que se nutre de notícias recheadas de novos pratos, preparados com ingredientes de primeira e, se possível, exóticos, criados por chefs revelação ou consagrados de restaurantes seletos e disputadíssimos. Isso lhes confere glamour, mas também a necessidade de estabelecer e manter relações um tanto quanto questionáveis do ponto de vista ético com chefs e profissionais a seu serviço, incluindo os assessores de imprensa. Vale tudo por uma pauta ou para ficar de bem com a fonte? Boa pergunta.

Mas as relações podem ser ainda mais, digamos, “complexas”. No Brasil, assim como em outros países, há jornalistas que se posicionam como críticos gastronômicos, mas apoiam ou mesmo promovem eventos com a presença de chefs que são, precisamente eles, pautas dos mesmos críticos. Em outras palavras: num incontestável conflito de interesses, mantêm negócios com os chefs. Segundo o crítico gastronômico alemão Jörg Zipprick, em entrevista a este escriba, seus coleguinhas não criticam os chefs-estrelas que caminham pelos tapetes vermelhos dos festivais, organizados por ou com a ajuda dos jornalistas. Críticos ou aduladores? É de se perguntar, então.

Um bom exemplo da renúncia ao exercício da crítica por parte de muitos jornalistas é o que acontece com os artigos sobre as criações do “mejor cocinero del mundo”, Ferran Adrià, assim apontado pela quarta vez neste ano pela revista britânica Restaurant. O chef catalão do restaurante elBulli é idolatrado por jornalistas pelas suas inovações culinárias, conhecidas sob diferentes alcunhas de gastronomia molecular, cozinha técnoemocional ou cozinha de vanguarda. Contestá-lo é tarefa para poucos.

Um deles é o crítico gastronômico do jornal barcelonês El Periódico, Miguel Sen. Ele não se conforma que Adrià tenha se convertido, e o tenham convertido, na unanimidade que é e que sua cozinha seja hoje a referência mundial da culinária espanhola – ou simplesmente “a” referência mundial do que é a alta gastronomia atualmente. Para Sen, autor do livro Luzes e sombras no reinado de Ferran Adrià, questioná-lo, assim como a sua cozinha, beira à apostasia.

“Qualquer crítica, inclusive a mais respeitosa, é entendida como blasfêmia que atenta contra a pátria e seu cozinheiro-estrela”, afirma, em estrevista a este jornalista. Zipprick – o jornalista alemão que escreveu No quiero volver al restaurante!, com críticas à Adrià ao uso de substâncias químicas, como colorantes, aromatizantes, conservantes e potencializadores de sabor, algumas delas, dizem especialistas, com o risco de danos à saúde –, vai além. Para ele, há uma espécie de omertà entre críticos e chefs.

Sen é um dos que evita referir-se aos críticos, como críticos. “Muitos deles estão ligados a empresas de publicidade ou a eventos gastronômicos. Outros dependem das feiras que organizam, em muitos casos com o apoio dos jornais para os quais escrevem. Nestas condições, é impossível que não se cumpra a lei de omertà”, vaticina. Sen não fala a esmo. O proprietário de uma assessoria de imprensa, que tem como cliente a Relais & Châteaux (rede formada por 480 hoteis de alto luxo e restaurantes gourmet em 56 países), por exemplo, é também crítico gastronômico.

Segundo Zipprick, muitos dos críticos pouco põem os pés na redação dos jornais ou revistas onde trabalham, preferindo vagar de evento em evento gastronômico para seguir “seus chefs”. “Antes, os críticos costumavam ser críticos. Agora, eles só estão lá para aplaudi-los”, diz, contrariado. Última pergunta, e fecha-se o pano: A crítica gastronômica é, então, confiável? Na dúvida, coma no seu boteco preferido.

Milton Rizzato é jornalista formado pela Unesp-Bauru, com rápida passagem pelo curso de Letras-Italiano da FFLCH-USP, e mestrando em História e Cultura da Alimentação pela Universidade de Barcelona (Catalunha), feito em parceria com as Universidades de Bolonha (Itália) e de Tours (França). Em uma das pausas em sua trajetória, trilhou pelo curso de Cozinheiro do Senac-Campos do Jordão e, posteriormente, foi professor e responsável pelo Garde Manger, área da cozinha onde se preparam as entradas e pratos fora de hora. Torce pelo Palmeiras, mas não tá nem aí para o campeonato. Gosta de alta gastronomia, mas não de suas frescuras. Assim como Tom Jobim, acha que se há perfeição, está na simplicidade. “Nada melhor que arroz, feijão, ovo e salada, da minha mãe, claro”, sentencia.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Como sumir nos dias de hoje? Belchior ensina

A partir de uma matéria do Fantástico, no último domingo, criou-se uma situação quase que inaceitável nos dias de redes sociais, que não deixam nada sob o tapete, que não permite segredos e que oferece uma eterna troca de idéias ou de simples boatos na Web. O cantor cearense Belchior, diga-se de passagem meu conterrâneo, conseguiu sumir no “oco do mundo”, expressão também da terrinha. Incrível!!! Internautas de todo o país estão chocados. Como ninguém sabe dele? Nenhuma foto de celular? Nem um twitteiro informado? Parem o mundo. Não é que o cabeça chata “causou”.

Já existe até o blog “Cadê Belchior?” com fotos do artista em vários registros históricos e em retratos cômicos. Humoristas do Treta já até fizeram “Mais um Brasileiro em Lost”. Gênio! Anunciaram que, depois da passagem relâmpago de Rodrigo Santoro pela série de TV americana, temos “mais um brasileiro em Lost’’. E o site http://twitpic.com/f41qh/full, coloca você para procurar Belchior. Mais uma genial. Sem falar nas mais de 50 comunidades no Orkut, como: Onde está Belchior?, Belchior, Volta pra Casa! e Alguém viu o Belchior. E ainda tem mais. Fãs do cantor já criaram um manifesto que chamam de “Campanha Volta Belchior’’ para show de Fagner, também cearense, no sábado, no Rio de Janeiro.

O mais incrível de toda essa história é que mesmo tendo conseguido driblar o controle dos tempos modernos, as mídias sociais não descansarão enquanto o compositor e cantor não oferecer o ar da graça. Não se tratando de uma tragédia ou de uma fuga desesperada de dívidas, como vêm comentando, a história de Belchior é um case de estratégia de assessoria de imprensa a ser estudado.

Com o sumiço, o cantor conseguiu uma linha de divulgação perfeita: exclusiva na grande revista eletrônica do país, disseminação pelas Internet, apuração com destaque e constante nos principais veículos do Brasil e ainda repercussão no exterior.

Para concluir, desejo que meu conterrâneo esteja bem e que ainda possa comentar sobre todo esse burburinho que ele conseguiu provocar sendo “apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no bolso...”

Ada Mendes é jornalista, especializada em economia, e adora um dicionário de português. Veio lá de Fortaleza, mas gosta de ser vista como cidadã do mundo. O panqueique.blogspot.com é o seu cantinho de falar bobagem.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

100% Jornalismo!

A minha chegada ao mundo corporativo aconteceu em grande estilo. Não estou exagerando, não! E logo vocês vão entender.

Depois de passar por grandes veículos de comunicação – como O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Nova (Ed. Abril), Crescer e Pequenas Empresas & Grandes Negócios (ambas da Ed. Globo), e IstoÉ Gente (Ed. Três) –, fui convidada em 2003 para ser assessora de Comunicação Interna da maior empresa brasileira naquela época. Tenho razão quando falo em estreia em grande estilo, não acham?

Devo confessar, entretanto, que não entendia nada do assunto. Nunca tinha trabalhado com comunicação empresarial! E sequer tinha estudado o assunto na faculdade. Mesmo assim aceitei o desafio porque queria fazer algo diferente profissionalmente e aquela era uma ótima oportunidade. Foi, inclusive, a certeza de estar diante de uma oportunidade única que aplacou a minha tristeza de estar abandonando o jornalismo.

Encantado com a minha vasta experiência profissional, o gerente de Comunicação me recebeu muito bem. A animação dele contrastava com o meu desespero. Juro que nos primeiros dias eu só conseguia pensar “o que vim fazer aqui?!”

Uma angústia que piorava à medida que eu tomava conhecimento da qualidade das ferramentas de comunicação interna, que era extremamente inferior quando comparada ao padrão impecável do material de divulgação externa da companhia.

Um bom exemplo: ao ligar o computador, o colaborador recebia em sua tela um PowerPoint com informações atualizadas diariamente. Em vez de ter notícias relevantes e ser usada como uma agenda, a ferramenta era editada com frases ao estilo “pensamentos do dia”. Algo que não combina, de forma alguma, com veículos corporativos.

Minha saga, entretanto, começou pelo boletim interno. Sem saber direito o que fazer, resolvi usar meus anos de aprendizado jornalístico para dar uma melhorada no jornal. A cada entrevista, fazia a fonte decodificar as informações e, principalmente, as inúmeras siglas da empresa, que antes apareciam aos montes nas páginas do jornal.

Muitos entrevistados tentavam fugir das explicações com o argumento: “fique tranqüila, os colaboradores estão acostumados, eles vão entender o que estou falando”. Candidamente, eu respondia: “sou eu quem precisa entender, senão como vou escrever um bom texto?”.

Em pouco tempo, o jornal circulava com novo projeto editorial e gráfico. Uma das grandes mudanças foi dar mais espaço e visibilidade aos colaboradores. Com isso, o boletim ganhou credibilidade. Se antes faltavam pautas para preencher as páginas, pouco tempo depois faltavam páginas para tantos assuntos.

Enfim, na prática, descobri que ao deixar a redação rumo ao mundo empresarial não tinha deixado de ser jornalista. Muito pelo contrário: continuava jornalista mais do que nunca! Hoje, aqui na LVBA, ao finalizar a edição de um veículo corporativo, fico feliz de ter cumprido o meu papel de informar. Continuo jornalista em 100% do meu tempo!

Silvia Lenzi é diretora de Redação da LVBA. Formada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, adora viajar e não perde a oportunidade de conhecer novidades e de se lançar em novos desafios. Tanto que sua primeira reportagem remunerada foi sobre adubo verde – lógico que, na época, não tinha noção do que isso significava, mas hoje consegue dar uma aula sobre o assunto.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Internet X Jornalismo


Em um bate-papo sobre redes sociais, me surpreendi pensando na velocidade em que a internet e suas ferramentas modificam o cenário mundial. De repente, surgiram vários questionamentos sobre o novo posicionamento do jornalismo diante dessas transformações.

Não é novidade que existe uma polêmica sobre o futuro do jornalismo na era digital e não poderia ser diferente, pois toda mudança provoca uma inquietação. Atualmente é difícil imaginar o mundo sem internet, mas isso não significa uma substituição à mídia impressa.

Como numa família, a internet e o jornalismo são filhos da comunicação e têm características únicas que não competem entre si, mas se adéquam as necessidades dos leitores.

Claro que se eu fosse jornalista, a princípio, ficaria indignada com a falta de credibilidade de algumas informações que ganham espaço e velocidade nessa era digital. Em contraponto, pensaria em ampliar a busca por novidades e utilizar as ferramentas on-line para estreitar o relacionamento com fontes e, obviamente, manter o relacionamento face to face.

A sensação de liberdade proporcionada pela internet chega a ser assustadora pelo número de pessoas que se pode atingir e pela possível falta de análise das informações ao transmitir um link com a notícia para a lista de e-mails. Por outro lado, a velocidade e a quantidade de conteúdos divulgados podem dispersar um fato que seria relevante.

Chego à conclusão de que a internet não terá a tradição e a confiabilidade do jornalismo, mas não pode ser ignorada, uma vez que provocou grandes impactos na sociedade. Logo, o jornalismo e a internet podem exercer sua função se trabalharem em conjunto e estrategicamente.

Do ponto de vista de interlocutor, existe o livre arbítrio para escolher confiar ou não na mídia, seja internet ou jornalismo.

Miriã Melo é executiva de atendimento jr. da LVBA, formada em publicidade e cursando pós-graduação em comunicação corporativa. Curiosa e inquieta por natureza, tem espírito questionador e é apaixonada pelas áreas da comunicação.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Rabiscos de um caderno de faculdade


Tem dias em que uma faxina no quarto é a melhor coisa. Sim, aqueles domingos cinzentos em que sair de casa é quase proibido. E todos sabemos bem como são essas faxinas: procuramos as coisas velhas, as separamos e deixamos num canto. Então, olhamos cada uma delas, lembramos de momentos diferentes da vida e, no fim, tudo volta para onde estava e pouca coisa é realmente descartada. Em uma dessas limpezas, encontrei meu antigo caderno de faculdade. Caderno grande, foi usado nos quatro anos, já que eu sempre fui econômico no espaço dos textos.

Via de regra, comecei a folheá-lo pelas páginas de trás. Afinal, a essência sempre está lá. Não a matéria, o ensinamento que nem sempre você queria receber, mas apenas o que lhe interessava naquele momento. As últimas páginas de um caderno bem usado determinam, muitas vezes, o comportamento das pessoas. Tem gente que sequer lembra dele. Tem outros que enchem de desenhos. Tem quem apenas lembre daquele ponto quando vai testar canetas. No meu caso, sempre foi ali que escrevi o que realmente sentia, pensava e vivia. Sem obrigações, sem medo, sem memória, sem moral. Apenas rabiscava traços, desenhava pessoas e jogava, despreocupadamente, o que estava na cabeça, fosse bom ou ruim.

E na minha cabeça, durante o período de faculdade, tinha muito sonho. Tinha muito sono. Tinha sopro de esperança de alguém que pouco conhecia o jornalismo e sequer sabia o que era RP. Encontrei, emocionado, suspiros de um estudante que ainda sabia pouco sobre a vida, sofreu quase nada e mesclava um esboço de vida adulta com um ranço gostoso de adolescência. Em linhas mal escritas e rasuras impensadas, ideias do que somos, do que sonhamos, do sono que sentimos.

Também não pude deixar de pensar no tempo que passou. Entre aqueles grafites rasurados e o texto digitado que você lê aqui, o que mudou. O que foi aproveitado. O que não foi. Quem se foi. Quem chegou. E amores. E amigos. E as mudanças. Me modifiquei, mas mantive meu mantra. Mudei, mesmo mesclando mulheres, mensalidades, martírios. Jamais me sentirei pleno. Jamais serei inteiro.

Não consegui me desfazer do caderno. Como previa, ele apenas voltou ao fundo do armário. Memórias foram junto. Alguns anos depois, sonhos que ali estavam seguem sendo somados ao suor de todo dia. Hoje, há um novo caderno. Novos ensinamentos me são passados. Novos profissionais compartilham certezas com cobranças, sentimentos com saudade. Mas as últimas páginas, ah...Elas permanecem sendo escritas.

Luís Joly é jornalista, escritor e tem vários, vários cadernos cheios de poemas, crônicas, textos e afins. Pretende ficar famoso para, depois de morrer, a família publicar tudo e ficar rica. Ah, e o blog dele é http://jacksenna.blogspot.com

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sonhar para viver, viver pra sonhar

É impossível entrar na sala de reunião da LVBA e não se deparar com o painel de acrílico pendurado na parede e a frase escrita em sua superfície:

“Se todos os sonhos se transformarem em realidade é sinal que você parou de crescer. Que haja sempre lugar para um sonho a mais em seu coração. Obrigado pelos sonhos que movem a LVBA"

O autor? Valentim Lorenzetti, fundador da LVBA. Para que essa frase – uma das principais marcas da empresa até hoje - seja verdadeira e tenha realmente um significado para quem a lê é preciso acreditar e viver aquilo que ela ensina. O Sr. Valentim (como ele é chamado por muitos aqui da agência) era uma dessas pessoas: fundou a LVBA sob essa crença, que inspira e já inspirou muitos LVBAnos a realizar seus sonhos. Um ser humano sem sonhos é alguém que não entende que a vida só tem sentido por causa deles, que sonhar é crescer, é viver; e que viver, é sonhar.

Acabo de dizer tudo isso para contar como eu vim parar na LVBA! Diferentemente da maioria, não sou formada em Jornalismo nem em Relações Públicas. Posso dizer que sou, sim, uma comunicóloga (que palavra feia, por sinal!!) como todos, mas com formação em Propaganda e Marketing. Minha carreira teve início em uma multinacional farmacêutica e de produtos de Higiene e Beleza. Foram alguns anos de muito trabalho, experiências e aprendizados.

Porém, em algum momento, bateu aquele “click” interno, sabe?! Aquele que te leva à dúvida de que se aquilo que você está fazendo e aprendendo realmente importa, se é isso mesmo que você gostaria de se dedicar todos os dias? Pois é, foi nesse momento de dúvidas e incertezas que comecei a ter mais contato com o departamento de Relações com a Imprensa da empresa, já que eu tinha sido promovida para uma área que demandava um forte trabalho de relacionamento com veículos de comunicação. Gostei e resolvi arriscar: larguei tudo para trás para me aventurar na busca por mais conhecimento, por uma visão mais ampla da Comunicação Empresarial e, é claro, por algo que faria sentido no momento.

Eu tinha no meu coração aquele mesmo sentimento que o Sr. Valentim tinha tantos anos atrás quando resolveu fundar a agência, e é por causa desse sentimento que hoje faço parte da LVBA. Se tivesse usado apenas a razão e “dado bola” para incompreensões do tipo “Você é louca! Vai mudar de trabalho assim!?”, “Pensa direito! Depois não tem volta”, “Será que é uma boa ideia?” talvez nada disso tivesse acontecido. Mas sonhos são feitos de emoção, e ela falou mais alto nesse caso...

Foi assim que entrei na LVBA, há um ano e pouco. Para mergulhar de vez, busco aprender com todas as situações – seja na prática do dia a dia (na troca de emails, no relacionamento com a imprensa, na conversa com alguém da agência, com o cliente, no simples ato de ouvir) ou na reciclagem (já fiz curso de redação jornalística e curso de Assessoria de Imprensa e atualmente faço um curso de Comunicação Empresarial na ESPM, que está abrindo minha cabeça para diversas questões ligadas à área, além de ser uma ótima experiência para ensinar e aprender com os outros).

Confesso que até hoje ainda tenho que explicar para muita gente qual é o meu trabalho na LVBA, principalmente para meu avô, que toda vez que me encontra faz a mesma pergunta: “Filha, explica pro seu vô o que você faz exatamente” (é nessas horas que percebo quantos passos o mercado de Propaganda e Marketing está a frente do de Comunicação!). Mas acho mais fácil explicar para outras pessoas o que é minha atividade do que tentar explicar para mim mesma algo inexplicável: o que te faz ficar em um lugar onde não há mais sonhos?

Márcia Artacho é Assistente de Atendimento da LVBA. Formada em Comunicação Social pela ESPM, veio parar na agência há quase um ano e meio, por uma mudança em seu caminho. Acredita que os sonhos são os verdadeiros motivadores da busca pelo conhecimento e do crescimento, seja ele pessoal ou profissional.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Somos iluminados?

Quem disse que boa formação cultural e intelectual, domínio da linguagem, compromisso com a informação e curiosidade são atributos exclusivos de jornalistas diplomados em jornalismo? Não são essas, além de algumas habilidades específicas, as exigências para o exercício da profissão? Ou será que nós, jornalistas, somos iluminados e, por isso, predestinados a possuirmos tais características?

Não discordo que a boa formação universitária é importante para qualificar um profissional de comunicação. Mas tenho certeza que os atributos citados na primeira pergunta deste texto não são conquistados durante quatro anos em salas de aula. A bagagem cultural e o respaldo intelectual são adquiridos ao longo da vida, seja ela acadêmica ou não. E, acredite, são esses os quesitos imprescindíveis, ao meu entendimento, para a atuação na área – pelo menos para começar a atuar.

Mais do que um canudo debaixo do braço no final do curso, o jornalismo precisa de pessoas capazes de enxergar os fatos sob diversos pontos de vista – precisa de questionadores, provocadores, instigadores, seres pensantes. Nem todo diplomado tem essas competências. Chega de cumpridores de tarefas! A exigência de diploma ou registro para a prática jornalística fere a liberdade de imprensa, prejudica a qualidade de informação e pode até traduzir inverdades à sociedade.

Seria um preciosismo descabido acreditar que as habilidades específicas do jornalismo só podem ser adquiridas por meio do ensino superior. Não vou entrar no mérito que o dia a dia da profissão, ou seja, o operacional, os processos, o que é lead e olho, por exemplo, aprende-se na prática ou em três meses de treinamento. Porque sim, aprende-se, inclusive com não formados em jornalismo. Pode acreditar.

Ok. Falemos de ética. Para muitos, além de formação e habilidades específicas, é na faculdade de jornalismo que “aprendemos” sobre a tão apreciada e indispensável ética. A bandeira é muito bonita, mas as pessoas se esquecem que a ética não é um valor exclusivo do jornalista, mas de pessoas – sejam jornaleiros, médicos, fotógrafos, barmen. É um compromisso estabelecido em qualquer relação, seja ela profissional ou não.

Além de tudo isso, a decisão do Supremo Tribunal Federal de tornar não obrigatório o diploma para o exercício de jornalistas é um impulso para começar a fazer sumir, ou extinguir, as vendedoras de diplomas. Essa já é outra discussão. De qualquer maneira, jornalistas e aspirantes, não se desesperem. Os diplomas são válidos. As faculdades não fecharão. A profissão ainda existirá e ainda precisará de vocês. Ah, e os talentos ainda serão reconhecidos.

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Fernanda Iema é executiva de atendimento da LVBA. Ao ingressar no curso de jornalismo, em 1998, percebeu que o que esperava de uma faculdade não era nada daquilo. Por isso, prestou vestibular em 1999 e iniciou a graduação de história. Concluiu o curso de jornalismo em 2001, pois era obrigatório para exercer profissão. Para não atrofiar o cérebro, é graduanda de história até hoje.

A decisão do STF e suas consequências para a sociedade

A discussão sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil divide opiniões e acirra ânimos. Na verdade, o cerne da questão não é ou não deveria ser a exigência do diploma, mas a qualidade do ensino. No entanto, nós, jornalistas profissionais, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), acabamos de perder o mínimo da regulamentação, ou seja, a garantia de que é necessário ter formação/graduação para a produção de conteúdo jornalístico, conquista brasileira que chega a quatro décadas. Por enquanto, vou me ater ao mínimo.

Com a decisão, perdem os profissionais, perdem os meios de comunicação de massa e, principalmente, perde a sociedade. A informação de qualidade, de interesse público, se tornará bem cada vez mais escasso. Democratização e ética no jornalismo então, nem se fala. Se, com a presença de jornalistas formados nas redações já era difícil garantir a produção e divulgação de informações com ética e voltadas ao interesse coletivo, após a decisão do STF, a tendência é que esse contexto piore sensivelmente.

Como diz o ditado popular “as porteiras estão completamente abertas”. Sem a menor resistência e “os entraves” da lei, os donos dos meios de comunicação de massa – pequenos, médios ou grandes – poderão contratar qualquer pessoa que se arvore a produzir conteúdo jornalístico, com ou sem formação específica. Afinal, isso parece não importar! A mídia tem um grande poder nas mãos e agora com total liberdade para usá-lo, sem a presença de profissionais que avaliem com propriedade e ética sua importância para a sociedade.

Bom, a decisão é muito recente e minhas avaliações podem não se concretizar. Mas o cenário, realmente, não é bom. O debate agora deve partir para algo mais complexo: a qualidade do ensino dos cursos de jornalismo que restarem. Qualidade esta que, com a decisão do STF, também tende a cair.

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Benedito Teixeira terminou o curso de Jornalismo há quase 11 anos. Ex-sindicalista, há pelo menos uns três anos brigou com a profissão. É muito pouca grana e satisfação pra muito trabalho. Pensa em terminar seus dias dando aula numa academia de ginástica.