quinta-feira, 6 de maio de 2010

Muito bom estar de volta

Parece que a minha vida profissional, nos últimos anos, foi feita de ciclos, que duram de três a quatro anos. Era desta forma que eu pensava. Vamos explicar: foi assim nas últimas duas agências que passei. Em uma fiquei três anos e aí surgiu a oportunidade de ir trabalhar em uma das maiores, melhores e pioneira no setor de Relações Públicas. Pensei: “bom, já estou aqui há três anos, é uma agência menor, é hora de conhecer uma das gigantes e mais respeitadas do mercado: a LVBA. Por que não?” Senti muito frio na barriga em encarar essa mudança, tive noites que mal conseguia dormir. “Será que eu seria capaz?”, pensava. Saía de atendimentos da área industrial e de entidades de classe para um setor que, até então, era totalmente desconhecido por mim: TV por assinatura. O máximo que eu sabia era ligar e desligar o controle remoto, como uma boa meia portuga que sou.

O desafio foi lançado. Fui fazer os testes, passei e lá fui eu atender uma empresa do setor de TV por assinatura e tudo mais que envolvia este segmento. Eu nem imaginava o que poderia acontecer, mas os quatro anos em que fiquei no atendimento foram de muitas emoções. O mercado de TV por assinatura estava em uma tremenda ebulição: compra e venda de empresas e companhias de telecomunicações entrando no segmento. Além disso, meu dia a dia passou a incorporar muitas letrinhas novas: MMDS, WiMAx, VoIP, HD, Full HD, entre outras. Enfim, o que não faltou foram assunto e adrenalina para trabalhar a divulgação do cliente na mídia. E quanto mais eu estudava, mais me envolvia nesse segmento.

E lá se foram quatro anos na LVBA. Até que recebi uma proposta de uma grande e importante agência de Comunicação empresarial para atender um cliente internacional e, finalmente, usar o idioma inglês, que tanto amo falar. Pensei: “putz, lá vem o ciclo de quatro anos, um ciclo se fechando e outro para começar”. Frio na barriga, noites sem dormir e, de novo, o que faço? Vou encarar mais essa? Esse número quatro me persegue!”. E olha que não sou supersticiosa. Até aprecio um pouco a numerologia e leio horóscopo de vez em quando, mas nada que me tome mais do que cinco minutos no dia. Aliás, verdade seja dita, a vida andou bem melhor depois que deixei de ler horóscopo e fazer mapas astrais.

Saí e passei um ano e três meses fora da LVBA. Nesse período resolvi conhecer novos horizontes, novos temas, novas agências. Outras propostas surgiram e eu segui o caminho, mas graças ao Universo este ciclo foi apenas de um ano e três meses. Durante esse período passei por momentos em que pensava, mas não queria acreditar, que o mundo é cruel. Mas foram grandes experiências pessoais e profissionais que me fizeram, assim espero, amadurecer um pouco mais. Meus cabelos brancos que o digam e agora tenho de pintar o cabelo todo mês. Que trabalho!

Felizmente, este novo ciclo não durou quatro anos. A vida conspirou a favor e eu voltei para um ambiente onde somos respeitados como pessoa e como profissional, onde realmente existe Ética, trabalhamos com espírito de equipe, existe um ambiente saudável para se trabalhar, as pessoas dizem e respondem ao nosso “bom dia”, podemos dar boas risadas, além de ser uma referência de mercado, principalmente no quesito Ética. Pode parecer meio Poliana tudo isso, mas é assim que encaro e essa é a minha realidade.

Então, agora, espero multiplar os próximos quatro anos por mais quatro, mais quatro, mais quatro e, quem sabe, mais quatro porque aqui encontrei Ética, respeitos profissional e pessoal, educação, gente humana (é assim mesmo, com eufemismo, aqui eu me permito), gente profissional, liberdade para expressar o que penso, paz de espírito para trabalhar, tranquilidade ao ir dormir e ao acordar e saber que existe um meio ambiente onde posso desenvolver o meu trabalho. Não quero parecer exagerada, mas essas situações e a maneira como somos tratados contam muito no dia a dia. Estou convicta disto! Por isso, somente aqui, deixo que me chamem carinhosamente de portuga!

Será que o ciclo de quatro anos terminou? Não sei. Só sei que é muito bom estar de volta e, guardadas as devidas proporções, de estar em casa. E feliz!

Cristiane Pinheiro é jornalista, mas se apaixonou pelas demais ferramentas da Comunicação e pelas Relações Públicas, depois que entrou na LVBA ampliou, em muito, os horizontes profissional e pessoal, passou a ler e a implementar tudo sobre essa profissão no seu dia a dia. É amante da vida, da música, do bom relacionamento e “nada supersticiosa”. Só não gosta de passar embaixo de escadas, vai que dá azar. E vai continuar rezando para Nossa Senhora Aparecida quando tiver de organizar uma coletiva de imprensa. Melhor prevenir do que remediar e, assim, garantir um bom número de participantes no evento. Olha que tem dado certo!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

De mudo, um rouco

Dispara a vida à galope sem saber qual caminho seguirá. Segue em suspenso se minha sorte vai guiar ou minha dor abreviará. E por onde vai a vida, segue a ferida. Não mais entendida do que sentida. Metade marca, inteira memória perdida.

Cobre o sorriso num improviso. Tem a convicção de um achismo e o que acha, constantemente, é mero eufemismo banhado em egoísmo. Desprende e não se arrepende do que lhe desdiz. Se perder pela perdição é o coração quando se contradiz. Teatro de fato, é mais fácil ser esquecido do que parecido no fim do ato.

Querer é perder e o que não se pede também pende pra derrota. Derrotismo de véspera é a vitória que não importa. Corre à dobra, se desdobra e cobra do destino tudo isso que só lhe merece a sobra. No caso, culpe o acaso. E se o mal me quer, o sal vai temperar minha fé. E no que marejam meus olhos, minha estrela vira a maré.

A vida é injsta aos que nascem frustrados. E ela não faz questão de ensinar. Ao invés, serve de bom grado tudo o que é desagrado. Reverso imerso no universo de um só verso. Um resumo de tudo o que não vi é o que ainda quero ver. Uma aposta sobre a hipótese do talvez. Um tolerante futuro pra quando chegar minha vez.

Que corra a nossa existência pra qualquer inconsciência. História por estória, prefiro dosar a minha com paciência. Até porque, dela só sei o começo e o fim. A parte que falta é o que esperam de mim.

Mas já sei que não há cura para quem jura que a alma é pura e não se mistura. A amargura que perdura é a fuga da ternura que se procura. O que fulgura às escuras reitera essa nossa loucura já madura de sonhar que a vida é dura.

Vitor Vieira é exatamente o que não parece ser. Apaixonado por samba, intrigado por filosofia moderna e enganado pela literatura , se mistura pelos versos e só neles se atura. Acha que a vida faz pleno sentido desde que vista ao avesso. Não sabe o que lhe atrai nas rimas, mas flerta com elas. Entre idas e vindas, é novamente assistente de atendimento da LVBA.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eficiência ou espetáculo?

Entre meus vários interesses, ocupa um dos primeiro lugares a Fórmula 1 e a velocidade, tema do texto que você lerá a seguir.

Parece clichê de início de temporada, mas não é: esse campeonato mostra-se um dos mais equilibrados da Fórmula 1 de todos os tempos. Massa, o líder na última prova, agora não está nem entre os cinco primeiros. Claro, como bem sabemos, muita água (sem trocadilhos) ainda vai rolar após o início da temporada na Europa “séria”, com a próxima etapa, na tradicional Barcelona. A síntese dessa primeira porção do calendário é feita por Fernando Alonso, após a China: “espero uma corrida normal de vez em quando”. Fato. Das quatro corridas que já rolaram este ano na Fórmula 1, todas tiveram fatores climáticos instáveis – alguns na corrida, outros apenas nos treinos, mas que com isso tornaram o grid de largada igualmente atípico.

O telespectador, claro, adora uma boa corrida com chuva – já brincam que os circuitos deveriam ter um sistema de irrigação no asfalto. Mas, para as equipes e pilotos, é um tormento – e isso vai muito além do óbvio fator extra de dificuldade devido às péssimas condições de visão e condução do carro. É ruim mesmo porque o carro e os pilotos não se desenvolvem. E todo o trabalho que é feito nos treinos, com pista seca e sol, de nada serve em verdadeiras loterias molhadas. Ou seja, vai por água abaixo (mais um trocadilho infeliz).

Mas a chuva potencializa duas características que se mostram predominantes este ano: o espetáculo e a eficiência. Espetáculo, que pode também ser chamado de Lewis Hamilton, como mencionei na última coluna. Não tenho os números aqui, mas não duvido que ele tenha sido o piloto que mais fez ultrapassagens até agora. De novo, para a audiência, nada melhor do que um ótimo piloto largando de trás, com um carro mais rápido que a maioria. Mas, para a McLaren, será que isso é realmente interessante? Não, certamente.

Do outro lado do grid (normalmente), Jenson Button, que chegou campeão e discreto no time para 2010, não preza pela agressividade. Prefere a discrição, sua característica mais forte. E, assim, sem provocar muitos sorrisos ou olhares espantados no público, já levou duas corridas no ano. Nas duas, fez a melhor estratégia de pneus e paradas, enquanto Hamilton trocava sopapos com o resto do circo, galgando suadas posições, uma a uma, para em seguida perdê-las de novo em uma rodada ou nova troca de calçados.

Nessa linha, podemos fazer uma comparação com nossos trabalhos: de que adianta ser o centro das atenções, mas não entregar resultados concretos? Da mesma forma, não é interessante manter-se oculto e não assumir os bons trabalhos. É necessário encontrar um balanço. E a linha que separa o gênio do genioso é muito tênue.

Para terminar: qual dos dois, Hamilton ou Button, é melhor? Impossível dizer. Quem foi melhor, Senna ou Prost? Torcedores fervorosos dirão Senna, claro. Era quem arriscava, ousava, errava, mas empolgava.

Mas, entre os dois, quem teve mais títulos na carreira?

Luís Joly é... ah, você já sabe. Ele escreve aqui de vez em quando, procura nos textos anteriores do rapaz. Na escola, ele costumava colocar no diário que era alérgico à pó, palmeirense e mofo. Ele escreve após cada corrida no site do UOL Interpress Motor e não nega uma corrida de kart. Aliás, vamos marcar?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Música para ouvir e sentir...

Ouvindo ontem uma amiga cantar lindamente os versos de músicas de Cartola, Chico Buarque, Elis Regina, Francis Hime e outros artistas da nossa bela MPB, fiquei pensando no quanto a música nos envolve e muitas vezes se relaciona diretamente com o momento que estamos vivendo.

Por vários momentos da apresentação dela voltei no tempo, relembrei antigas situações e revivi sensações. Apesar da melancolia, confesso que foram realmente deliciosas as mais de duas horas que permaneci ali, no tradicional Bar do Alemão, ouvindo músicas sensacionais e passeando no tempo... Afinal, um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém.

Certa vez uma amiga me perguntou qual era minha paixão, o que me movia. Ao pensar um pouco no assunto compreendi que sou apaixonada por artes e cultura, especialmente por música. Boa música me envolve, me fascina e me inspira...

Quando ouço uma música ou vou a um show, presto atenção em cada detalhe. Fico encantada quando há perfeição na letra, arranjos impecáveis e, principalmente, boa interpretação e sonoridade na voz do artista. Música para mim é para ouvir e sentir!

Não imagino a vida sem música. Acho que tudo seria sem graça, sem cor, sem alegria. Assim como não acredito que seja possível viver sem cultura. Sou movida pelos diferenciais que as artes e a cultura podem proporcionar. Ler um bom livro, assistir a um inesquecível filme, sentir o calor de uma apresentação teatral ou de um espetáculo de dança são as melhores experiências que alguém pode ter na vida. Procuro sempre apreciar e estar em contato com os mais variados tipos de expressão artística: cinema, teatro, música, exposição, circo, dança...

Nada melhor do que isso para o meu dia ficar muito mais feliz!

Lilian Ambar é jornalista por vocação. A curiosidade aguçada e a facilidade para lidar com as palavras desde criança a levaram ao jornalismo. É aficionada por arte e cultura. Não passa uma semana sequer sem assistir a um filme. É apaixonada por teatro, está sempre à procura de um artista novo para ver seu show e seu criado-mudo é repleto de livros e revistas. É uma das novatas da equipe da LVBA.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um novo começo

Ausências, presenças, esperanças, angústias, erros e acertos são acontecimentos e sentimentos comuns na vida de qualquer ser humano. Mas nos últimos oito meses eles foram protagonistas na minha rotina. A ausência, hoje em dia, é frequente quando em agosto do ano passado perdi a mais importante figura masculina do meu dia a dia. Caçula de quatro mulheres, mais minha mãe, o meu pai era energia do sexo oposto que equilibrava a nossa família. Entretanto, ele resolveu sair de cena e deixar este posto para o Arthur Gastão Novaes, nome do meio em homenagem ao avô Gastão Novaes Filho.

E Arthur chegou não deixando o feminino dominar totalmente. Pelo contrário, ele chegou para representar a parte masculina do Novaes e deixar todas as pessoas caindo a seus pés. É incrível como um serzinho que tem um pouco mais de cinco quilos e meros dois meses de vida já tem o poder de colocar todas as mulheres da família a sua disposição. A mãozinha, o cheirinho, o pezinho, tudo nele é atraente para querermos cuidar.

Eu penso como a natureza é sábia, pois não fosse o encanto, o amor e o zelo sentidos por ele, teríamos a ideia de jogá-lo pela janela quando começa a chorar, mas apenas queremos descobrir o que lhe aflige e deixá-lo satisfeito e feliz.

Ironia do destino, talvez, não deixar os dois Gastões se cruzarem. Aposto que meu pai, sempre reticente a netos, seria o primeiro da fila para deixar o serzinho contente e estaria emanando seu amor torto, porém genuíno, à pessoinha com seu nome.

Certamente a presença do meu sobrinho na minha casa, no quarto ao lado, distancia a ausência dessa figura tão importante. A esperança de o novo Gastão ser mais completo que o primeiro está presente, a angústia de saber que o meu pai nunca mais estará no sofá de couro para dar umas “bronquinhas” e a segurança paterna volta e meia aparece. O equívoco da minha irmã de engravidar de uma forma não convencional gerou o melhor acerto de todos: dar-nos o prazer de podermos amar mais um Novaes.

Realmente, a vida se renova, a vida tem um prazo de validade. Quando dizem para aproveitarmos cada pedacinho, é de fato um dos maiores clichês existentes, mas também uma verdade. Um dia você acorda e tudo mudou. Ninguém lhe perguntou se podia trocar o seu papel representado na história. Ontem filha, hoje tia e amanhã, quem sabe? Quando você vê, em apenas oito meses, sua vida muda e não há mais como voltar atrás. Apenas continuar apreciando cada momento e sempre que dá saudades, rever os melhores capítulos...

Veridiana Novaes é uma das caras da nova geração da LVBA, tem dois meses de agência, tempo que seu sobrinho tem de vida. Adora comida japonesa, discute com a irmã Carol, mãe do Arthur, quase todo dia. É uma apaixonada pela vida, pelos amigos e pela família.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um tal Garcia

Sempre tive meus tios como excelentes mestres. Ensinar sempre foi espontâneo a eles. E durante uma fase de minha vida e de meu primo eles insistiam em citar uma tal “Mensagem a Garcia”, um conto de Helbert Hubbard que conta a história de um homem que executou majestosamente a função de levar uma importante mensagem sem criar empecilhos ou envolver pessoas desnecessárias. Durante essa fase, apelidamos a história como o “zelão do Garcia”, era nossa maneira adolescente de criticar o que nos era mostrado quase poeticamente.

Deu-se que no primeiro ano de faculdade, em uma daquelas aulas em que se pretende entender o que é Relações Públicas, lembrei-me do “zelão do Garcia”. A mim parecia muito mais simples explicar que a nós sempre irá caber levar uma mensagem ao Garcia, em todas as situações, de forma simples, estratégica e resolvendo conflitos - não criando.

Sempre acreditei que o tal do Rowan (leia o conto no link acima que você vai entender!), que achou o Zelão, teve ótimos mestres e sempre foi excelente observador, mas que, além disso, ele tinha segurança de que era capaz e então fez o que era preciso! Aprendi com o grupo do zelão, antes mesmo de saber que precisaria desse ensinamento.

O conto sempre figurou entre os meus preferidos pela excelente lição envolvida e por mostrar outras questões relativamente importantes, como a possibilidade da mensagem ter sido entregue mais rapidamente se feita em grupo, ou a possibilidade de fazer o Rowan aprender com os possíveis questionamentos – inteligentes – que ele deixou de fazer.

Durante muitos almoços, mesmo em tom de brincadeira, eu e meus tios sempre comentamos sobre as questões que envolvem esse conto e muitos outros. Aprendi coisas importantes em leituras casuais e despretensiosas de ensinar. E assim como os meus mestres de família, gosto sempre de compartilhar esses aprendizados.

Luciana Rodrigues é Relações Públicas por formação e vocação. Queria ser jornalista até que um professor do cursinho disse que ela “tinha uma natureza mais corporativa, no mundo da imprensa” e sugeriu RP. É tão grata a ele quanto é aos seus mestres de berço, Carmen e Reinaldo (os tios). Adora ler, mas está brigando com “Crime e Castigo”, pois não conseguiu tirar momentos em almoço de família onde ele possa ser comentado.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Fã não é palhaço!

Começo dizendo o seguinte: quem deveria ser tratado como estrela é, sim, senhor, o fã e não o artista. Por quê? Porque somos nós, os fãs, que fazemos deles celebridades. Sem a multidão de pessoas apaixonadas por fulano ou beltrano, o anonimato é certeiro. Recomeço explicando esta minha teoria. No ultimo sábado, roqueiros de plantão estavam com a adrenalina borbulhando por conta do show do Guns N’ Roses.

E sabe o que aconteceu? Na minha opinião, o show foi marcado por desorganização e descaso com o fã, fora a espera interminável. Era um dos shows que mais esperei para ir. Adoro show de rock. Adoro Guns N’Roses. Era a oportunidade perfeita para ver e ouvir Axl Rose sem ser no CD (ou vinil) ou nos clipes que passavam na MTV.

Por isso que meu post tem um quê de revolta e me faz acreditar que a coisa deveria ser inversa: eu, pagante, deveria ser tratada com mais respeito; deveria ter sido valorizada; deveria ter saído de lá satisfeita e realizada. Mas não, as estrelas eram aquelas que nós esperávamos no palco (e bota esperávamos nisso), e aí está o problema. Virei fã do tal espírito de porco que jogou uma lata de cerveja no Axl, juro mesmo. Ele sinalizou de uma forma individual e singela o sentimento de centenas de pessoas que ali estavam. Socialmente incorreto o que ele fez?! Talvez sim. Mas foi uma vingançazinha muito da boa....

Não digo que a culpa foi só da banda não. Acho que ficou 50% para eles (já que a espera me fez “brochar”) e 50% para a (des)organização do evento. Vou contar tudinho... Devia mandar a fatura do cartão de crédito, pedindo para banda e para a organizadora o meu dinheiro de volta. Saí no meio do show, certa de que joguei R$ 150,00 na lata do lixo.

Os shows de rock na minha vida
No ano passado fui em todos os shows de rock’n roll, menos em um. Curiosamente, este show que perdi em 2009, também o tinha perdido o de 1994. Falo do show do KISS. Show do KISS, cara!!! Devia ter uns 14 anos quando eles vieram para o Brasil e fizeram um show no Autódromo de Interlagos. Como na minha família o ritmo mais agitado que se ouve é samba, claro que fiquei de fora deste (já que ninguém em sã consciência me levaria para ver uma das melhores bandas de rock do mundo ao vivo). Mas ok, eu morava muito perto do Autódromo e ouvi o show do quintal de casa (Éolo, Deus do Vento, foi muito bom para mim naquele dia, já que o vento estava a favor da minha casa e trazia o som com extrema nitidez). Voltando ao passado mais recente, perdi o show de 2009 por uma ótima causa: era a minha lua de mel!!!

O pré-evento, o evento e o pós-evento
Bom, meu digníssimo marido (ai, adoro essa palavra!!!) comprou nossos ingressos no dia em que foi aberta a pré-venda para clientes Diner’s e sei lá mais quem. Ele me ligou, dizendo: “Comprei ingressos pro show do Guns. Estamos garantidos. E sabe o que tem de melhor nesta história? Vamos ver o show no C-A-M-A-R-O-T-E!!!”. Na hora eu pensei: “Putz, depois de esperar todos estes anos para ouvir a voz do Axl Rose, verei o show confortavelmente sentada. Não é o máximo”?. (Daria até para soltar um palavrão para expressar minha realização, mas aqui não pode.)

Minha semana antes do show não poderia ter sido pior... Minha hérnia resolveu brincar comigo e me deixou uns diazinhos internada. Juro que pensei que poderia pleitear um papel na novela Viver a Vida, já que meu corpo paralisou. Gente, não é sarcasmo não. Não conseguia mover nem o pescoço por conta da dor que havia se apossado de mim. Se eu fiz alguma coisa para ela se revoltar? Não, não. Só passei 2h30 do meu sábado sentada na loja da minha operadora de celular esperando ser atendida para realizar uma bendita troca de aparelho (meu senhor - forma carinhosa de me referir ao meu marido - resolveu trocar de celular. Odeio quando ele tem ideias brilhantes como essa). Vai ver que foi isso...

Enfim, fui para o PS e depois de duas bolsas de medicação com soro e nenhum resultado sobre a dor, o médico fala: “Só me resta te internar”. E lá fui eu. Três dias de molho no hospital. Saí e fui para a casa de minha mamãe. Ah, casa de mãe, colo de mãe, voz de mãe é remédio para tudo. Ao final de uma semana depois da crise, depois de muita dor e de medo de não conseguir ir ao show, voltei para minha casa.

No dia do show, fiquei o maior tempo que consegui em repouso para guardar forças e economizar dor para poder ir ao tão esperado show do Guns N’ Roses. Fomos para o Palestra Itália. Diante da dúvida de qual portão devíamos procurar, perguntei para um carinha de colete amarelo-grifa-texto, que trazia escrito Orientação, para que lado era a entrada do camarote. “Moça, acho que é... Deve ser.... É...”. Na hora virei as costas. Isso já me dava vaga noção de como a coisa seria difícil naquela noite.

Achamos o portão. Entregamos os ingressos e veio a pergunta por parte da menina do staff: “São sócios do Palmeiras?”. A resposta: “Não! Compramos na pré-venda”. O indício virou verdade. Desorganização total. Os camarotes, camarotes de verdade, estavam lotados! (Oh, paguei e não tenho lugar!) Chama um no rádio, cochicha no ouvido do outro e vem a frase: “Aguarda aqui só um minutinho que vamos acomodar vocês já já”. Suei frio. Realmente a coisa estava desorganizada. Quinze minutos depois fomos guiados por um rapaz da (des)organização até o 4º andar do estádio. Sabe o que tem lá?! As salas de imprensa. Fiquei injuriada por dois motivos: um porque não tinha pago por aquilo e outro pelo que vi – como podem acomodar jornalistas num lugar como aquele?!

Aí, começa a tortura... Todo mundo sabe da outra fama do Guns: atrasos, desaparecimento súbito e show cancelado na hora... Já sabia o que nos esperava: espera. Mas pera lá. O que fizeram foi demais. Daí chego no ponto de partida deste post: FÃ NÃO É PALHAÇO. A banda de abertura - Sebastian Bach - (que curti muito quando era jovenzinha) tocou por quase 1h30. Quando saíram de cena, o tal staff começou a montar o palco para a grande atração da noite. TCHARAN: levaram mais de uma hora fazendo isso. O show, cujo horário de início que estava no ingresso (21h30), começou de verdade perto da 1h10 da manhã. As vaias pela demora eram abafadas com a música ambiente elevada ao último volume.

Quando deu 2h30 da matina, eu e meu senhor nos mandamos do show. Por quê? Porque eu não sou palhaça. Não ouvi nenhuma música tocada. A acústica do tal “camarote” que nos colocaram era péssima. Tinha uma forração metálica no teto, acredita? Houve um solo de piano que quase estourou meus tímpanos. E a tão sonhada voz do Axl que eu queria ouvir ao vivo?!... Nem de longe, nem na Sweet Child O’Mine. Joguei R$ 150,00 na lata do lixo e saí de lá sem ouvir Knockin’ on Heaven’s Door... Desacreditei. Um show deste porte era para ser impecável...

Dani Mesquita é Executiva da Unidade da Adriane Froldi. Continua em guerra com sua hérnia de disco e, por conta dela, levanta todo-santo-dia uma hora mais cedo para fazer fisioterapia. Está até pensando em fazer acupuntura!